Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

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Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por Michael Scofield em Ter Abr 10, 2018 8:20 pm

Pelo fim da intolerância religiosa contra o Islã:




Islam: uma religião da paz, do amor e da ética


Sheikh Rodrigo Rodrigues fala sobre os ensinamentos, a meditação e as práticas que compõem a segunda maior religião do mundo



"Deus é Conhecedor do mistério dos céus e da terra porque conhece bem as intimidades dos corações.” - Alcorão Sagrado (35:38)

A palavra Islam em árabe está relacionada à Salam que significa paz. Ao contrário do que se especula, a paz é a base dessa crença monoteísta que remonta à Arábia Saudita do século VII. Mais do que uma religião, trata-se de um sistema de vida completo revelado por Deus — ou Allah — ao Profeta Muhammad (cerca de 570–632 d.C.), por meio do Arcanjo Gabriel. Todas as mensagens celestiais ditadas por Deus a Muhammad compõem o Alcorão Sagrado, livro que conduz o ser humano a Deus em todos os campos da sua vida. Em cerca de suas novecentas páginas, traz temas como felicidade, a reforma entre os homens e a concórdia. Os ensinamentos islâmicos se baseiam no amor e nos pontos de encontro entre os seres humanos por serem da mesma criação.

Sheikh Rodrigo Rodrigues, natural de Porto Alegre (RS), é formado em Educação Islâmica na King Saud University, na Arábia Saudita, sendo o primeiro brasileiro a se formar numa Universidade Islâmica. Atualmente, é Imam (o pregador no culto) da comunidade islâmica de Curitiba (PR). Foi também Imam da Mesquita de Porto Alegre e até recentemente era Sheikh (ou ancião, termo usado no Islam por autoridades religiosas) da Liga da Juventude Islâmica e professor de ensino religioso na Escola Islâmica Brasileira, em São Paulo. É membro do Conselho Superior de Teólogos e Assuntos Islâmicos do Brasil e da Liga dos Sábios Muçulmanos com Sede na Turquia. Perspicaz e bem-humorado, Sheikh Rodrigo esteve em São Paulo e conversou com a Revista Bodisatva.


O Islam é um sistema completo de vida. O senhor poderia explicar o que significa?

O pensamento moderno liberal nos diz que não existe um modelo de vida a seguir — a pessoa decide o que é bom para ela, o importante é ser feliz com aquilo que tem, independente se existe ou não um outro mundo. Esse é um dos fundamentos do liberalismo.

Eu acredito que não há valor numa religião, num sistema religioso que diga para o indivíduo o que ele é ou não é. Pode ser um choque para o ocidente de que o Islam seja tomado como um sistema de vida.

No ocidente a religião não ocupa um espaço total na vida das pessoas, já no mundo dos muçulmanos, sim. Nós sabemos que somos livres para fazer o que quisermos aqui no mundo, mas estamos limitados com os atos que vão nos prejudicar hoje ou amanhã.
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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por brunolobo em Ter Abr 10, 2018 8:41 pm




(no caso do islã, acredito que só os homens deveriam ser mortos, já que é uma religião que, por definição, escraviza mulheres e crianças - a ponto de liberar até pedofilia; ou seja, seria simplesmente uma libertação de escravos, teria síndrome de estocolmo, claro, mas ela é completamente tratável com o tempo)
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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por Modern Samurai em Qua Abr 11, 2018 11:54 am

@Michael Scofield escreveu:Pelo fim da intolerância religiosa contra o Islã:




Islam: uma religião da paz, do amor e da ética


Sheikh Rodrigo Rodrigues fala sobre os ensinamentos, a meditação e as práticas que compõem a segunda maior religião do mundo



"Deus é Conhecedor do mistério dos céus e da terra porque conhece bem as intimidades dos corações.” - Alcorão Sagrado (35:38)

A palavra Islam em árabe está relacionada à Salam que significa paz. Ao contrário do que se especula, a paz é a base dessa crença monoteísta que remonta à Arábia Saudita do século VII. Mais do que uma religião, trata-se de um sistema de vida completo revelado por Deus — ou Allah — ao Profeta Muhammad (cerca de 570–632 d.C.), por meio do Arcanjo Gabriel. Todas as mensagens celestiais ditadas por Deus a Muhammad compõem o Alcorão Sagrado, livro que conduz o ser humano a Deus em todos os campos da sua vida. Em cerca de suas novecentas páginas, traz temas como felicidade, a reforma entre os homens e a concórdia. Os ensinamentos islâmicos se baseiam no amor e nos pontos de encontro entre os seres humanos por serem da mesma criação.

Sheikh Rodrigo Rodrigues, natural de Porto Alegre (RS), é formado em Educação Islâmica na King Saud University, na Arábia Saudita, sendo o primeiro brasileiro a se formar numa Universidade Islâmica. Atualmente, é Imam (o pregador no culto) da comunidade islâmica de Curitiba (PR). Foi também Imam da Mesquita de Porto Alegre e até recentemente era Sheikh (ou ancião, termo usado no Islam por autoridades religiosas) da Liga da Juventude Islâmica e professor de ensino religioso na Escola Islâmica Brasileira, em São Paulo. É membro do Conselho Superior de Teólogos e Assuntos Islâmicos do Brasil e da Liga dos Sábios Muçulmanos com Sede na Turquia. Perspicaz e bem-humorado, Sheikh Rodrigo esteve em São Paulo e conversou com a Revista Bodisatva.


O Islam é um sistema completo de vida. O senhor poderia explicar o que significa?

O pensamento moderno liberal nos diz que não existe um modelo de vida a seguir — a pessoa decide o que é bom para ela, o importante é ser feliz com aquilo que tem, independente se existe ou não um outro mundo. Esse é um dos fundamentos do liberalismo.

Eu acredito que não há valor numa religião, num sistema religioso que diga para o indivíduo o que ele é ou não é. Pode ser um choque para o ocidente de que o Islam seja tomado como um sistema de vida.

No ocidente a religião não ocupa um espaço total na vida das pessoas, já no mundo dos muçulmanos, sim. Nós sabemos que somos livres para fazer o que quisermos aqui no mundo, mas estamos limitados com os atos que vão nos prejudicar hoje ou amanhã.

Cú de pombo, você já leu algum filósofo da doutrina islâmica? Recomendo você ler "A Unidade Transcendente das Religiões" de Frithjof Schuon. Se não tiver saco para ler inteiro, vá até a página 119 ("Cristianismo e Islã"), onde ele discorre sobre algumas diferenças e visões de ambas doutrinas. Eu estou engatinhando nos estudos biblicos e história das religiões e me deparei com esse autor. Ele escreve coisas muito interessantes. Dá uma lida se puder.

E você já tem um time no Fantasy? Temos que montar um time chamado TEAM GOAT GIBSON em homenagem ao MESTRÃO lol!
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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por Michael Scofield em Qua Abr 11, 2018 12:49 pm

@Modern Samurai escreveu:
Cú de pombo, você já leu algum filósofo da doutrina islâmica? Recomendo você ler "A Unidade Transcendente das Religiões" de Frithjof Schuon. Se não tiver saco para ler inteiro, vá até a página 119 ("Cristianismo e Islã"), onde ele discorre sobre algumas diferenças e visões de ambas doutrinas. Eu estou engatinhando nos estudos biblicos e história das religiões e me deparei com esse autor. Ele escreve coisas muito interessantes. Dá uma lida se puder.

E você já tem um time no Fantasy? Temos que montar um time chamado TEAM GOAT GIBSON em homenagem ao MESTRÃO lol!

Posta aí no fórum algum trecho que você acha relevante pô.

E eu não estudo nada de teologia cara, apenas gosto de xingar e denunciar a CNBB / Teologia da Libertação por usar a igreja como instrumento pra promover doutrina de luta de classes e políticas esquerdistas, dentre outras coisas que critico, como os protestantes com seus pastores picaretas, as religiões ditas da paz, etc.

No mais, passa lá na seção principal.
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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por brunolobo em Qua Abr 11, 2018 9:20 pm

@Modern Samurai escreveu:
@Michael Scofield escreveu:Pelo fim da intolerância religiosa contra o Islã:




Islam: uma religião da paz, do amor e da ética


Sheikh Rodrigo Rodrigues fala sobre os ensinamentos, a meditação e as práticas que compõem a segunda maior religião do mundo



"Deus é Conhecedor do mistério dos céus e da terra porque conhece bem as intimidades dos corações.” - Alcorão Sagrado (35:38)

A palavra Islam em árabe está relacionada à Salam que significa paz. Ao contrário do que se especula, a paz é a base dessa crença monoteísta que remonta à Arábia Saudita do século VII. Mais do que uma religião, trata-se de um sistema de vida completo revelado por Deus — ou Allah — ao Profeta Muhammad (cerca de 570–632 d.C.), por meio do Arcanjo Gabriel. Todas as mensagens celestiais ditadas por Deus a Muhammad compõem o Alcorão Sagrado, livro que conduz o ser humano a Deus em todos os campos da sua vida. Em cerca de suas novecentas páginas, traz temas como felicidade, a reforma entre os homens e a concórdia. Os ensinamentos islâmicos se baseiam no amor e nos pontos de encontro entre os seres humanos por serem da mesma criação.

Sheikh Rodrigo Rodrigues, natural de Porto Alegre (RS), é formado em Educação Islâmica na King Saud University, na Arábia Saudita, sendo o primeiro brasileiro a se formar numa Universidade Islâmica. Atualmente, é Imam (o pregador no culto) da comunidade islâmica de Curitiba (PR). Foi também Imam da Mesquita de Porto Alegre e até recentemente era Sheikh (ou ancião, termo usado no Islam por autoridades religiosas) da Liga da Juventude Islâmica e professor de ensino religioso na Escola Islâmica Brasileira, em São Paulo. É membro do Conselho Superior de Teólogos e Assuntos Islâmicos do Brasil e da Liga dos Sábios Muçulmanos com Sede na Turquia. Perspicaz e bem-humorado, Sheikh Rodrigo esteve em São Paulo e conversou com a Revista Bodisatva.


O Islam é um sistema completo de vida. O senhor poderia explicar o que significa?

O pensamento moderno liberal nos diz que não existe um modelo de vida a seguir — a pessoa decide o que é bom para ela, o importante é ser feliz com aquilo que tem, independente se existe ou não um outro mundo. Esse é um dos fundamentos do liberalismo.

Eu acredito que não há valor numa religião, num sistema religioso que diga para o indivíduo o que ele é ou não é. Pode ser um choque para o ocidente de que o Islam seja tomado como um sistema de vida.

No ocidente a religião não ocupa um espaço total na vida das pessoas, já no mundo dos muçulmanos, sim. Nós sabemos que somos livres para fazer o que quisermos aqui no mundo, mas estamos limitados com os atos que vão nos prejudicar hoje ou amanhã.

Cú de pombo, você já leu algum filósofo da doutrina islâmica? Recomendo você ler "A Unidade Transcendente das Religiões" de Frithjof Schuon. Se não tiver saco para ler inteiro, vá até a página 119 ("Cristianismo e Islã"), onde ele discorre sobre algumas diferenças e visões de ambas doutrinas. Eu estou engatinhando nos estudos biblicos e história das religiões e me deparei com esse autor. Ele escreve coisas muito interessantes. Dá uma lida se puder.

E você já tem um time no Fantasy? Temos que montar um time chamado TEAM GOAT GIBSON em homenagem ao MESTRÃO lol!
tu sabe que esse schuon é mal intencionado, né? a intenção maior do cara é colocar todas outras religiões de joelhos pro islã (assim como seu predecessor, o guenon, que inaugurou essa putaria de fazer filosofia religiosa ocidental pró islã).
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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por Modern Samurai em Qui Abr 12, 2018 12:28 am

@brunolobo escreveu:
@Modern Samurai escreveu:
@Michael Scofield escreveu:Pelo fim da intolerância religiosa contra o Islã:




Islam: uma religião da paz, do amor e da ética


Sheikh Rodrigo Rodrigues fala sobre os ensinamentos, a meditação e as práticas que compõem a segunda maior religião do mundo



"Deus é Conhecedor do mistério dos céus e da terra porque conhece bem as intimidades dos corações.” - Alcorão Sagrado (35:38)

A palavra Islam em árabe está relacionada à Salam que significa paz. Ao contrário do que se especula, a paz é a base dessa crença monoteísta que remonta à Arábia Saudita do século VII. Mais do que uma religião, trata-se de um sistema de vida completo revelado por Deus — ou Allah — ao Profeta Muhammad (cerca de 570–632 d.C.), por meio do Arcanjo Gabriel. Todas as mensagens celestiais ditadas por Deus a Muhammad compõem o Alcorão Sagrado, livro que conduz o ser humano a Deus em todos os campos da sua vida. Em cerca de suas novecentas páginas, traz temas como felicidade, a reforma entre os homens e a concórdia. Os ensinamentos islâmicos se baseiam no amor e nos pontos de encontro entre os seres humanos por serem da mesma criação.

Sheikh Rodrigo Rodrigues, natural de Porto Alegre (RS), é formado em Educação Islâmica na King Saud University, na Arábia Saudita, sendo o primeiro brasileiro a se formar numa Universidade Islâmica. Atualmente, é Imam (o pregador no culto) da comunidade islâmica de Curitiba (PR). Foi também Imam da Mesquita de Porto Alegre e até recentemente era Sheikh (ou ancião, termo usado no Islam por autoridades religiosas) da Liga da Juventude Islâmica e professor de ensino religioso na Escola Islâmica Brasileira, em São Paulo. É membro do Conselho Superior de Teólogos e Assuntos Islâmicos do Brasil e da Liga dos Sábios Muçulmanos com Sede na Turquia. Perspicaz e bem-humorado, Sheikh Rodrigo esteve em São Paulo e conversou com a Revista Bodisatva.


O Islam é um sistema completo de vida. O senhor poderia explicar o que significa?

O pensamento moderno liberal nos diz que não existe um modelo de vida a seguir — a pessoa decide o que é bom para ela, o importante é ser feliz com aquilo que tem, independente se existe ou não um outro mundo. Esse é um dos fundamentos do liberalismo.

Eu acredito que não há valor numa religião, num sistema religioso que diga para o indivíduo o que ele é ou não é. Pode ser um choque para o ocidente de que o Islam seja tomado como um sistema de vida.

No ocidente a religião não ocupa um espaço total na vida das pessoas, já no mundo dos muçulmanos, sim. Nós sabemos que somos livres para fazer o que quisermos aqui no mundo, mas estamos limitados com os atos que vão nos prejudicar hoje ou amanhã.

Cú de pombo, você já leu algum filósofo da doutrina islâmica? Recomendo você ler "A Unidade Transcendente das Religiões" de Frithjof Schuon. Se não tiver saco para ler inteiro, vá até a página 119 ("Cristianismo e Islã"), onde ele discorre sobre algumas diferenças e visões de ambas doutrinas. Eu estou engatinhando nos estudos biblicos e história das religiões e me deparei com esse autor. Ele escreve coisas muito interessantes. Dá uma lida se puder.

E você já tem um time no Fantasy? Temos que montar um time chamado TEAM GOAT GIBSON em homenagem ao MESTRÃO lol!
tu sabe que esse schuon é mal intencionado, né? a intenção maior do cara é colocar todas outras religiões de joelhos pro islã (assim como seu predecessor, o guenon, que inaugurou essa putaria de fazer filosofia religiosa ocidental pró islã).

Sim, eu li esse livro do Schuon porque li algumas citações dele em um livro de história das religiões e quando fui buscar referências sobre as obras dele para dar continuidade em outros livros mais pra frente, encontrei algumas advertências desse tipo. Acho que uma delas em algum livro/artigo do Olavo de Carvalho. Eu não me aprofundei ainda, foi mais pra ter uma visão panorâmica sobre alguns assuntos por enquanto. Como falei pro Scofield: eu estou mais focado em estudos bíblicos e história da religião. Mas sinto que estou engatinhando ainda.

Mas voltando ao assunto do Schuon, nesse capítulo que recomendei ao Scofield, ele discorre sobre a diferença do cristianismo e islã. Por exemplo, explicando as diferenças do papel do homem em ambas.

Achei que o Scofield tinha interesse sobre o assunto, mas ele está mais ligando o "foda-se" aí hahahaha

Por hora, não, mas talvez eu volte no futuro a ler as obras do Schuon e Guenon. Não tem jeito. Não dá estudar história das religiões sem passar por algumas obras deles.
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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por brunolobo em Qui Abr 12, 2018 1:58 am

@Modern Samurai escreveu:
@brunolobo escreveu:
@Modern Samurai escreveu:
@Michael Scofield escreveu:Pelo fim da intolerância religiosa contra o Islã:




Islam: uma religião da paz, do amor e da ética


Sheikh Rodrigo Rodrigues fala sobre os ensinamentos, a meditação e as práticas que compõem a segunda maior religião do mundo



"Deus é Conhecedor do mistério dos céus e da terra porque conhece bem as intimidades dos corações.” - Alcorão Sagrado (35:38)

A palavra Islam em árabe está relacionada à Salam que significa paz. Ao contrário do que se especula, a paz é a base dessa crença monoteísta que remonta à Arábia Saudita do século VII. Mais do que uma religião, trata-se de um sistema de vida completo revelado por Deus — ou Allah — ao Profeta Muhammad (cerca de 570–632 d.C.), por meio do Arcanjo Gabriel. Todas as mensagens celestiais ditadas por Deus a Muhammad compõem o Alcorão Sagrado, livro que conduz o ser humano a Deus em todos os campos da sua vida. Em cerca de suas novecentas páginas, traz temas como felicidade, a reforma entre os homens e a concórdia. Os ensinamentos islâmicos se baseiam no amor e nos pontos de encontro entre os seres humanos por serem da mesma criação.

Sheikh Rodrigo Rodrigues, natural de Porto Alegre (RS), é formado em Educação Islâmica na King Saud University, na Arábia Saudita, sendo o primeiro brasileiro a se formar numa Universidade Islâmica. Atualmente, é Imam (o pregador no culto) da comunidade islâmica de Curitiba (PR). Foi também Imam da Mesquita de Porto Alegre e até recentemente era Sheikh (ou ancião, termo usado no Islam por autoridades religiosas) da Liga da Juventude Islâmica e professor de ensino religioso na Escola Islâmica Brasileira, em São Paulo. É membro do Conselho Superior de Teólogos e Assuntos Islâmicos do Brasil e da Liga dos Sábios Muçulmanos com Sede na Turquia. Perspicaz e bem-humorado, Sheikh Rodrigo esteve em São Paulo e conversou com a Revista Bodisatva.


O Islam é um sistema completo de vida. O senhor poderia explicar o que significa?

O pensamento moderno liberal nos diz que não existe um modelo de vida a seguir — a pessoa decide o que é bom para ela, o importante é ser feliz com aquilo que tem, independente se existe ou não um outro mundo. Esse é um dos fundamentos do liberalismo.

Eu acredito que não há valor numa religião, num sistema religioso que diga para o indivíduo o que ele é ou não é. Pode ser um choque para o ocidente de que o Islam seja tomado como um sistema de vida.

No ocidente a religião não ocupa um espaço total na vida das pessoas, já no mundo dos muçulmanos, sim. Nós sabemos que somos livres para fazer o que quisermos aqui no mundo, mas estamos limitados com os atos que vão nos prejudicar hoje ou amanhã.

Cú de pombo, você já leu algum filósofo da doutrina islâmica? Recomendo você ler "A Unidade Transcendente das Religiões" de Frithjof Schuon. Se não tiver saco para ler inteiro, vá até a página 119 ("Cristianismo e Islã"), onde ele discorre sobre algumas diferenças e visões de ambas doutrinas. Eu estou engatinhando nos estudos biblicos e história das religiões e me deparei com esse autor. Ele escreve coisas muito interessantes. Dá uma lida se puder.

E você já tem um time no Fantasy? Temos que montar um time chamado TEAM GOAT GIBSON em homenagem ao MESTRÃO lol!
tu sabe que esse schuon é mal intencionado, né? a intenção maior do cara é colocar todas outras religiões de joelhos pro islã (assim como seu predecessor, o guenon, que inaugurou essa putaria de fazer filosofia religiosa ocidental pró islã).

Sim, eu li esse livro do Schuon porque li algumas citações dele em um livro de história das religiões e quando fui buscar referências sobre as obras dele para dar continuidade em outros livros mais pra frente, encontrei algumas advertências desse tipo. Acho que uma delas em algum livro/artigo do Olavo de Carvalho. Eu não me aprofundei ainda, foi mais pra ter uma visão panorâmica sobre alguns assuntos por enquanto. Como falei pro Scofield: eu estou mais focado em estudos bíblicos e história da religião. Mas sinto que estou engatinhando ainda.

Mas voltando ao assunto do Schuon, nesse capítulo que recomendei ao Scofield, ele discorre sobre a diferença do cristianismo e islã. Por exemplo, explicando as diferenças do papel do homem em ambas.

Achei que o Scofield tinha interesse sobre o assunto, mas ele está mais ligando o "foda-se" aí hahahaha

Por hora, não, mas talvez eu volte no futuro a ler as obras do Schuon e Guenon. Não tem jeito. Não dá estudar história das religiões sem passar por algumas obras deles.
sim, é o olavo que dá essa advertência (ele que conviveu pessoalmente com o schuon, aliás). o problema é que essa intenção dos caras não é declarada, justamente para ter seu efeito. portanto muita gente acaba lendo a obra dos caras e se iludindo, se tornando idiotas úteis pró islã.

falam que muita coisa dá pra aproveitar deles (basicamente: apresentam o cristianismo de maneira brilhante, mas em seguida o islã de maneira que o transcenda, aí que mora o problema), mas tem que ter essa vacina, senão se cai na conversa dos caras fácil fácil, não é à toa que os caras eram intelectuais do mais alto grau (a ponto de chegarem a ser líderes de tariqas).

enfim, nunca li nada dos caras (só sei do assunto por cima mesmo), mas basta observar as ações que eles fizeram (a disseminação das tariqas por toda europa, coisa que foi fundamental pra islamização atual do continente, já que tariqas são tipo maçonaria, organização fechada que envolve gente de elite, coincidência as políticas pró islã europeias terem surgido após isso? principe charles louvando maomé em pleno natal? toda nomenklatura da união europeia ser descaradamente pró islã? etc) pra concluir a má intenção sem possibilidade alguma de erro.



ps: scofield criou o tópico em tom de ironia mesmo, já que aqui no forum todo mundo pensa que muçulmano bom é muçulmano morto (como esclareci acima, com exceção das mulheres e crianças, que são, por definição, escravos nessa religião doentia).
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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por Michael Scofield em Qui Abr 12, 2018 11:53 am

@Modern Samurai escreveu:
Sim, eu li esse livro do Schuon porque li algumas citações dele em um livro de história das religiões e quando fui buscar referências sobre as obras dele para dar continuidade em outros livros mais pra frente, encontrei algumas advertências desse tipo. Acho que uma delas em algum livro/artigo do Olavo de Carvalho. Eu não me aprofundei ainda, foi mais pra ter uma visão panorâmica sobre alguns assuntos por enquanto. Como falei pro Scofield: eu estou mais focado em estudos bíblicos e história da religião. Mas sinto que estou engatinhando ainda.

Mas voltando ao assunto do Schuon, nesse capítulo que recomendei ao Scofield, ele discorre sobre a diferença do cristianismo e islã. Por exemplo, explicando as diferenças do papel do homem em ambas.

Achei que o Scofield tinha interesse sobre o assunto, mas ele está mais ligando o "foda-se" aí hahahaha

Por hora, não, mas talvez eu volte no futuro a ler as obras do Schuon e Guenon. Não tem jeito. Não dá estudar história das religiões sem passar por algumas obras deles.

Samurai, temos coisas interessantes aqui. Leia estes tópicos, por favor:

http://ufconfantasy.forumeiros.com/t292-entenda-os-conflitos-de-israel-e-a-intervencao-norte-americana-no-oriente-medio
http://ufconfantasy.forumeiros.com/t268-o-ateismo-militante-e-marxista-e-assassino
http://ufconfantasy.forumeiros.com/t327-casa-branca-publica-memorando-bomba
http://ufconfantasy.forumeiros.com/t344-voce-e-cristao-ou-socialista

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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por Modern Samurai em Qui Abr 12, 2018 1:05 pm

@brunolobo escreveu:
@Modern Samurai escreveu:
@brunolobo escreveu:
@Modern Samurai escreveu:
@Michael Scofield escreveu:Pelo fim da intolerância religiosa contra o Islã:




Islam: uma religião da paz, do amor e da ética


Sheikh Rodrigo Rodrigues fala sobre os ensinamentos, a meditação e as práticas que compõem a segunda maior religião do mundo



"Deus é Conhecedor do mistério dos céus e da terra porque conhece bem as intimidades dos corações.” - Alcorão Sagrado (35:38)

A palavra Islam em árabe está relacionada à Salam que significa paz. Ao contrário do que se especula, a paz é a base dessa crença monoteísta que remonta à Arábia Saudita do século VII. Mais do que uma religião, trata-se de um sistema de vida completo revelado por Deus — ou Allah — ao Profeta Muhammad (cerca de 570–632 d.C.), por meio do Arcanjo Gabriel. Todas as mensagens celestiais ditadas por Deus a Muhammad compõem o Alcorão Sagrado, livro que conduz o ser humano a Deus em todos os campos da sua vida. Em cerca de suas novecentas páginas, traz temas como felicidade, a reforma entre os homens e a concórdia. Os ensinamentos islâmicos se baseiam no amor e nos pontos de encontro entre os seres humanos por serem da mesma criação.

Sheikh Rodrigo Rodrigues, natural de Porto Alegre (RS), é formado em Educação Islâmica na King Saud University, na Arábia Saudita, sendo o primeiro brasileiro a se formar numa Universidade Islâmica. Atualmente, é Imam (o pregador no culto) da comunidade islâmica de Curitiba (PR). Foi também Imam da Mesquita de Porto Alegre e até recentemente era Sheikh (ou ancião, termo usado no Islam por autoridades religiosas) da Liga da Juventude Islâmica e professor de ensino religioso na Escola Islâmica Brasileira, em São Paulo. É membro do Conselho Superior de Teólogos e Assuntos Islâmicos do Brasil e da Liga dos Sábios Muçulmanos com Sede na Turquia. Perspicaz e bem-humorado, Sheikh Rodrigo esteve em São Paulo e conversou com a Revista Bodisatva.


O Islam é um sistema completo de vida. O senhor poderia explicar o que significa?

O pensamento moderno liberal nos diz que não existe um modelo de vida a seguir — a pessoa decide o que é bom para ela, o importante é ser feliz com aquilo que tem, independente se existe ou não um outro mundo. Esse é um dos fundamentos do liberalismo.

Eu acredito que não há valor numa religião, num sistema religioso que diga para o indivíduo o que ele é ou não é. Pode ser um choque para o ocidente de que o Islam seja tomado como um sistema de vida.

No ocidente a religião não ocupa um espaço total na vida das pessoas, já no mundo dos muçulmanos, sim. Nós sabemos que somos livres para fazer o que quisermos aqui no mundo, mas estamos limitados com os atos que vão nos prejudicar hoje ou amanhã.

Cú de pombo, você já leu algum filósofo da doutrina islâmica? Recomendo você ler "A Unidade Transcendente das Religiões" de Frithjof Schuon. Se não tiver saco para ler inteiro, vá até a página 119 ("Cristianismo e Islã"), onde ele discorre sobre algumas diferenças e visões de ambas doutrinas. Eu estou engatinhando nos estudos biblicos e história das religiões e me deparei com esse autor. Ele escreve coisas muito interessantes. Dá uma lida se puder.

E você já tem um time no Fantasy? Temos que montar um time chamado TEAM GOAT GIBSON em homenagem ao MESTRÃO lol!
tu sabe que esse schuon é mal intencionado, né? a intenção maior do cara é colocar todas outras religiões de joelhos pro islã (assim como seu predecessor, o guenon, que inaugurou essa putaria de fazer filosofia religiosa ocidental pró islã).

Sim, eu li esse livro do Schuon porque li algumas citações dele em um livro de história das religiões e quando fui buscar referências sobre as obras dele para dar continuidade em outros livros mais pra frente, encontrei algumas advertências desse tipo. Acho que uma delas em algum livro/artigo do Olavo de Carvalho. Eu não me aprofundei ainda, foi mais pra ter uma visão panorâmica sobre alguns assuntos por enquanto. Como falei pro Scofield: eu estou mais focado em estudos bíblicos e história da religião. Mas sinto que estou engatinhando ainda.

Mas voltando ao assunto do Schuon, nesse capítulo que recomendei ao Scofield, ele discorre sobre a diferença do cristianismo e islã. Por exemplo, explicando as diferenças do papel do homem em ambas.

Achei que o Scofield tinha interesse sobre o assunto, mas ele está mais ligando o "foda-se" aí hahahaha

Por hora, não, mas talvez eu volte no futuro a ler as obras do Schuon e Guenon. Não tem jeito. Não dá estudar história das religiões sem passar por algumas obras deles.
sim, é o olavo que dá essa advertência (ele que conviveu pessoalmente com o schuon, aliás). o problema é que essa intenção dos caras não é declarada, justamente para ter seu efeito. portanto muita gente acaba lendo a obra dos caras e se iludindo, se tornando idiotas úteis pró islã.

falam que muita coisa dá pra aproveitar deles (basicamente: apresentam o cristianismo de maneira brilhante, mas em seguida o islã de maneira que o transcenda, aí que mora o problema), mas tem que ter essa vacina, senão se cai na conversa dos caras fácil fácil, não é à toa que os caras eram intelectuais do mais alto grau (a ponto de chegarem a ser líderes de tariqas).

enfim, nunca li nada dos caras (só sei do assunto por cima mesmo), mas basta observar as ações que eles fizeram (a disseminação das tariqas por toda europa, coisa que foi fundamental pra islamização atual do continente, já que tariqas são tipo maçonaria, organização fechada que envolve gente de elite, coincidência as políticas pró islã europeias terem surgido após isso? principe charles louvando maomé em pleno natal? toda nomenklatura da união europeia ser descaradamente pró islã? etc) pra concluir a má intenção sem possibilidade alguma de erro.

[b]ps: scofield criou o tópico em tom de ironia mesmo, já que aqui no forum todo mundo pensa que muçulmano bom é muçulmano morto (como esclareci acima, com exceção das mulheres e crianças, que são, por definição, escravos nessa religião doentia)[b][/b].
[/b]

Entendi, mas não tem como eu estudar a história das religiões sem passar por esses autores. Creio que o mesmo acontecerá quando eu passar pelo judaísmo, hinduismo. Os estudos bíblicos são a minha "vacina" Cool Do mesmo modo que eu leio algumas obras de ateus (como Dawkins) ou mesmo a bíblia dos céticos, porque mesmos esses possuem questões que devem ser analisadas pela Bíblia. O próprio Dawkins, que até aqui das suas obras que li, vi todas as argumentações dele impugnadas pelo Craig, é interessante de se ler. Ele tem um conhecimento absurdo e é interessante analisar o discurso dele e como outros autores - como o Craig -, os desmembram. Eu peguei um roteiro de estudos bíblicos do nobre usuário Tenente Murphy e dei uma adaptada as minhas necessidades. Ele me ajudou muito, assim como as aulas do Olavo study

O Olavão, mesmo, disse que ficou preso no universo guenoniano por um bom tempo até perceber no labirinto que estava preso.

Em relação ao escrito em negrito, eu não necessariamente compartilho desse desejo; mas apesar de saber que a coisa não funciona assim, eu gostaria de ver os países árabes (ricos) acolhendo os imigrantes dos países em guerra cívil.
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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por Modern Samurai em Qui Abr 12, 2018 1:13 pm

@Michael Scofield escreveu:
@Modern Samurai escreveu:
Sim, eu li esse livro do Schuon porque li algumas citações dele em um livro de história das religiões e quando fui buscar referências sobre as obras dele para dar continuidade em outros livros mais pra frente, encontrei algumas advertências desse tipo. Acho que uma delas em algum livro/artigo do Olavo de Carvalho. Eu não me aprofundei ainda, foi mais pra ter uma visão panorâmica sobre alguns assuntos por enquanto. Como falei pro Scofield: eu estou mais focado em estudos bíblicos e história da religião. Mas sinto que estou engatinhando ainda.

Mas voltando ao assunto do Schuon, nesse capítulo que recomendei ao Scofield, ele discorre sobre a diferença do cristianismo e islã. Por exemplo, explicando as diferenças do papel do homem em ambas.

Achei que o Scofield tinha interesse sobre o assunto, mas ele está mais ligando o "foda-se" aí hahahaha

Por hora, não, mas talvez eu volte no futuro a ler as obras do Schuon e Guenon. Não tem jeito. Não dá estudar história das religiões sem passar por algumas obras deles.

Samurai, temos coisas interessantes aqui. Leia estes tópicos, por favor:

http://ufconfantasy.forumeiros.com/t292-entenda-os-conflitos-de-israel-e-a-intervencao-norte-americana-no-oriente-medio
http://ufconfantasy.forumeiros.com/t268-o-ateismo-militante-e-marxista-e-assassino
http://ufconfantasy.forumeiros.com/t327-casa-branca-publica-memorando-bomba
http://ufconfantasy.forumeiros.com/t344-voce-e-cristao-ou-socialista


Vou deixar linkado aqui e dar uma olhada.
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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por brunolobo em Qui Abr 12, 2018 10:11 pm

@Modern Samurai escreveu:
@brunolobo escreveu:
@Modern Samurai escreveu:
@brunolobo escreveu:
@Modern Samurai escreveu:
@Michael Scofield escreveu:Pelo fim da intolerância religiosa contra o Islã:




Islam: uma religião da paz, do amor e da ética


Sheikh Rodrigo Rodrigues fala sobre os ensinamentos, a meditação e as práticas que compõem a segunda maior religião do mundo



"Deus é Conhecedor do mistério dos céus e da terra porque conhece bem as intimidades dos corações.” - Alcorão Sagrado (35:38)

A palavra Islam em árabe está relacionada à Salam que significa paz. Ao contrário do que se especula, a paz é a base dessa crença monoteísta que remonta à Arábia Saudita do século VII. Mais do que uma religião, trata-se de um sistema de vida completo revelado por Deus — ou Allah — ao Profeta Muhammad (cerca de 570–632 d.C.), por meio do Arcanjo Gabriel. Todas as mensagens celestiais ditadas por Deus a Muhammad compõem o Alcorão Sagrado, livro que conduz o ser humano a Deus em todos os campos da sua vida. Em cerca de suas novecentas páginas, traz temas como felicidade, a reforma entre os homens e a concórdia. Os ensinamentos islâmicos se baseiam no amor e nos pontos de encontro entre os seres humanos por serem da mesma criação.

Sheikh Rodrigo Rodrigues, natural de Porto Alegre (RS), é formado em Educação Islâmica na King Saud University, na Arábia Saudita, sendo o primeiro brasileiro a se formar numa Universidade Islâmica. Atualmente, é Imam (o pregador no culto) da comunidade islâmica de Curitiba (PR). Foi também Imam da Mesquita de Porto Alegre e até recentemente era Sheikh (ou ancião, termo usado no Islam por autoridades religiosas) da Liga da Juventude Islâmica e professor de ensino religioso na Escola Islâmica Brasileira, em São Paulo. É membro do Conselho Superior de Teólogos e Assuntos Islâmicos do Brasil e da Liga dos Sábios Muçulmanos com Sede na Turquia. Perspicaz e bem-humorado, Sheikh Rodrigo esteve em São Paulo e conversou com a Revista Bodisatva.


O Islam é um sistema completo de vida. O senhor poderia explicar o que significa?

O pensamento moderno liberal nos diz que não existe um modelo de vida a seguir — a pessoa decide o que é bom para ela, o importante é ser feliz com aquilo que tem, independente se existe ou não um outro mundo. Esse é um dos fundamentos do liberalismo.

Eu acredito que não há valor numa religião, num sistema religioso que diga para o indivíduo o que ele é ou não é. Pode ser um choque para o ocidente de que o Islam seja tomado como um sistema de vida.

No ocidente a religião não ocupa um espaço total na vida das pessoas, já no mundo dos muçulmanos, sim. Nós sabemos que somos livres para fazer o que quisermos aqui no mundo, mas estamos limitados com os atos que vão nos prejudicar hoje ou amanhã.

Cú de pombo, você já leu algum filósofo da doutrina islâmica? Recomendo você ler "A Unidade Transcendente das Religiões" de Frithjof Schuon. Se não tiver saco para ler inteiro, vá até a página 119 ("Cristianismo e Islã"), onde ele discorre sobre algumas diferenças e visões de ambas doutrinas. Eu estou engatinhando nos estudos biblicos e história das religiões e me deparei com esse autor. Ele escreve coisas muito interessantes. Dá uma lida se puder.

E você já tem um time no Fantasy? Temos que montar um time chamado TEAM GOAT GIBSON em homenagem ao MESTRÃO lol!
tu sabe que esse schuon é mal intencionado, né? a intenção maior do cara é colocar todas outras religiões de joelhos pro islã (assim como seu predecessor, o guenon, que inaugurou essa putaria de fazer filosofia religiosa ocidental pró islã).

Sim, eu li esse livro do Schuon porque li algumas citações dele em um livro de história das religiões e quando fui buscar referências sobre as obras dele para dar continuidade em outros livros mais pra frente, encontrei algumas advertências desse tipo. Acho que uma delas em algum livro/artigo do Olavo de Carvalho. Eu não me aprofundei ainda, foi mais pra ter uma visão panorâmica sobre alguns assuntos por enquanto. Como falei pro Scofield: eu estou mais focado em estudos bíblicos e história da religião. Mas sinto que estou engatinhando ainda.

Mas voltando ao assunto do Schuon, nesse capítulo que recomendei ao Scofield, ele discorre sobre a diferença do cristianismo e islã. Por exemplo, explicando as diferenças do papel do homem em ambas.

Achei que o Scofield tinha interesse sobre o assunto, mas ele está mais ligando o "foda-se" aí hahahaha

Por hora, não, mas talvez eu volte no futuro a ler as obras do Schuon e Guenon. Não tem jeito. Não dá estudar história das religiões sem passar por algumas obras deles.
sim, é o olavo que dá essa advertência (ele que conviveu pessoalmente com o schuon, aliás). o problema é que essa intenção dos caras não é declarada, justamente para ter seu efeito. portanto muita gente acaba lendo a obra dos caras e se iludindo, se tornando idiotas úteis pró islã.

falam que muita coisa dá pra aproveitar deles (basicamente: apresentam o cristianismo de maneira brilhante, mas em seguida o islã de maneira que o transcenda, aí que mora o problema), mas tem que ter essa vacina, senão se cai na conversa dos caras fácil fácil, não é à toa que os caras eram intelectuais do mais alto grau (a ponto de chegarem a ser líderes de tariqas).

enfim, nunca li nada dos caras (só sei do assunto por cima mesmo), mas basta observar as ações que eles fizeram (a disseminação das tariqas por toda europa, coisa que foi fundamental pra islamização atual do continente, já que tariqas são tipo maçonaria, organização fechada que envolve gente de elite, coincidência as políticas pró islã europeias terem surgido após isso? principe charles louvando maomé em pleno natal? toda nomenklatura da união europeia ser descaradamente pró islã? etc) pra concluir a má intenção sem possibilidade alguma de erro.

[b]ps: scofield criou o tópico em tom de ironia mesmo, já que aqui no forum todo mundo pensa que muçulmano bom é muçulmano morto (como esclareci acima, com exceção das mulheres e crianças, que são, por definição, escravos nessa religião doentia).[/b]

Entendi, mas não tem como eu estudar a história das religiões sem passar por esses autores. Creio que o mesmo acontecerá quando eu passar pelo judaísmo, hinduismo. Os estudos bíblicos são a minha "vacina" Cool  Do mesmo modo que eu leio algumas obras de ateus (como Dawkins) ou mesmo a bíblia dos céticos, porque mesmos esses possuem questões que devem ser analisadas pela Bíblia. O próprio Dawkins, que até aqui das suas obras que li, vi todas as argumentações dele impugnadas pelo Craig, é interessante de se ler. Ele tem um conhecimento absurdo e é interessante analisar o discurso dele e como outros autores - como o Craig -, os desmembram. Eu peguei um roteiro de estudos bíblicos do nobre usuário Tenente Murphy e dei uma adaptada as minhas necessidades. Ele me ajudou muito, assim como as aulas do Olavo study

O Olavão, mesmo, disse que ficou preso no universo guenoniano por um bom tempo até perceber no labirinto que estava preso.

Em relação ao escrito em negrito, eu não necessariamente compartilho desse desejo; mas apesar de saber que a coisa não funciona assim, eu gostaria de ver os países árabes (ricos) acolhendo os imigrantes dos países em guerra cívil.
sem dúvidas. como falei, a parte que eles apresentam o cristianismo (e outras religiões tirando o islã) dizem que é brilhante mesmo, uma das melhores exposições que fizeram. portanto, essa parte é totalmente aproveitável, o problema está na parte do islã, daí tem que estar vacinado, senão se cai na armadilha dos caras. enfim, são intelectuais de verdade, ou seja: tanto a parte séria da obra deles é de alta qualidade, como a sacanagem tb é de qualidade, enganando um monte de desavisados.


ps: a parte do "muçulmano bom é muçulmano morto" evidentemente é uma forçada, pra entrar no clima do fantasy mesmo. só desejo isso de fato pros muçulmanos extremistas/que apoiem a sharia (infelizmente são a maioria no islã, portanto teria muita gente que ir pra vala mesmo, mas todos terroristas em potencial, não dá pra defender gente desse tipo)
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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por Modern Samurai em Sab Abr 14, 2018 10:52 am

@brunolobo escreveu:
@Modern Samurai escreveu:
@brunolobo escreveu:
@Modern Samurai escreveu:
@brunolobo escreveu:
@Modern Samurai escreveu:
@Michael Scofield escreveu:Pelo fim da intolerância religiosa contra o Islã:




Islam: uma religião da paz, do amor e da ética


Sheikh Rodrigo Rodrigues fala sobre os ensinamentos, a meditação e as práticas que compõem a segunda maior religião do mundo



"Deus é Conhecedor do mistério dos céus e da terra porque conhece bem as intimidades dos corações.” - Alcorão Sagrado (35:38)

A palavra Islam em árabe está relacionada à Salam que significa paz. Ao contrário do que se especula, a paz é a base dessa crença monoteísta que remonta à Arábia Saudita do século VII. Mais do que uma religião, trata-se de um sistema de vida completo revelado por Deus — ou Allah — ao Profeta Muhammad (cerca de 570–632 d.C.), por meio do Arcanjo Gabriel. Todas as mensagens celestiais ditadas por Deus a Muhammad compõem o Alcorão Sagrado, livro que conduz o ser humano a Deus em todos os campos da sua vida. Em cerca de suas novecentas páginas, traz temas como felicidade, a reforma entre os homens e a concórdia. Os ensinamentos islâmicos se baseiam no amor e nos pontos de encontro entre os seres humanos por serem da mesma criação.

Sheikh Rodrigo Rodrigues, natural de Porto Alegre (RS), é formado em Educação Islâmica na King Saud University, na Arábia Saudita, sendo o primeiro brasileiro a se formar numa Universidade Islâmica. Atualmente, é Imam (o pregador no culto) da comunidade islâmica de Curitiba (PR). Foi também Imam da Mesquita de Porto Alegre e até recentemente era Sheikh (ou ancião, termo usado no Islam por autoridades religiosas) da Liga da Juventude Islâmica e professor de ensino religioso na Escola Islâmica Brasileira, em São Paulo. É membro do Conselho Superior de Teólogos e Assuntos Islâmicos do Brasil e da Liga dos Sábios Muçulmanos com Sede na Turquia. Perspicaz e bem-humorado, Sheikh Rodrigo esteve em São Paulo e conversou com a Revista Bodisatva.


O Islam é um sistema completo de vida. O senhor poderia explicar o que significa?

O pensamento moderno liberal nos diz que não existe um modelo de vida a seguir — a pessoa decide o que é bom para ela, o importante é ser feliz com aquilo que tem, independente se existe ou não um outro mundo. Esse é um dos fundamentos do liberalismo.

Eu acredito que não há valor numa religião, num sistema religioso que diga para o indivíduo o que ele é ou não é. Pode ser um choque para o ocidente de que o Islam seja tomado como um sistema de vida.

No ocidente a religião não ocupa um espaço total na vida das pessoas, já no mundo dos muçulmanos, sim. Nós sabemos que somos livres para fazer o que quisermos aqui no mundo, mas estamos limitados com os atos que vão nos prejudicar hoje ou amanhã.

Cú de pombo, você já leu algum filósofo da doutrina islâmica? Recomendo você ler "A Unidade Transcendente das Religiões" de Frithjof Schuon. Se não tiver saco para ler inteiro, vá até a página 119 ("Cristianismo e Islã"), onde ele discorre sobre algumas diferenças e visões de ambas doutrinas. Eu estou engatinhando nos estudos biblicos e história das religiões e me deparei com esse autor. Ele escreve coisas muito interessantes. Dá uma lida se puder.

E você já tem um time no Fantasy? Temos que montar um time chamado TEAM GOAT GIBSON em homenagem ao MESTRÃO lol!
tu sabe que esse schuon é mal intencionado, né? a intenção maior do cara é colocar todas outras religiões de joelhos pro islã (assim como seu predecessor, o guenon, que inaugurou essa putaria de fazer filosofia religiosa ocidental pró islã).

Sim, eu li esse livro do Schuon porque li algumas citações dele em um livro de história das religiões e quando fui buscar referências sobre as obras dele para dar continuidade em outros livros mais pra frente, encontrei algumas advertências desse tipo. Acho que uma delas em algum livro/artigo do Olavo de Carvalho. Eu não me aprofundei ainda, foi mais pra ter uma visão panorâmica sobre alguns assuntos por enquanto. Como falei pro Scofield: eu estou mais focado em estudos bíblicos e história da religião. Mas sinto que estou engatinhando ainda.

Mas voltando ao assunto do Schuon, nesse capítulo que recomendei ao Scofield, ele discorre sobre a diferença do cristianismo e islã. Por exemplo, explicando as diferenças do papel do homem em ambas.

Achei que o Scofield tinha interesse sobre o assunto, mas ele está mais ligando o "foda-se" aí hahahaha

Por hora, não, mas talvez eu volte no futuro a ler as obras do Schuon e Guenon. Não tem jeito. Não dá estudar história das religiões sem passar por algumas obras deles.
sim, é o olavo que dá essa advertência (ele que conviveu pessoalmente com o schuon, aliás). o problema é que essa intenção dos caras não é declarada, justamente para ter seu efeito. portanto muita gente acaba lendo a obra dos caras e se iludindo, se tornando idiotas úteis pró islã.

falam que muita coisa dá pra aproveitar deles (basicamente: apresentam o cristianismo de maneira brilhante, mas em seguida o islã de maneira que o transcenda, aí que mora o problema), mas tem que ter essa vacina, senão se cai na conversa dos caras fácil fácil, não é à toa que os caras eram intelectuais do mais alto grau (a ponto de chegarem a ser líderes de tariqas).

enfim, nunca li nada dos caras (só sei do assunto por cima mesmo), mas basta observar as ações que eles fizeram (a disseminação das tariqas por toda europa, coisa que foi fundamental pra islamização atual do continente, já que tariqas são tipo maçonaria, organização fechada que envolve gente de elite, coincidência as políticas pró islã europeias terem surgido após isso? principe charles louvando maomé em pleno natal? toda nomenklatura da união europeia ser descaradamente pró islã? etc) pra concluir a má intenção sem possibilidade alguma de erro.

[b]ps: scofield criou o tópico em tom de ironia mesmo, já que aqui no forum todo mundo pensa que muçulmano bom é muçulmano morto (como esclareci acima, com exceção das mulheres e crianças, que são, por definição, escravos nessa religião doentia).[/b]

Entendi, mas não tem como eu estudar a história das religiões sem passar por esses autores. Creio que o mesmo acontecerá quando eu passar pelo judaísmo, hinduismo. Os estudos bíblicos são a minha "vacina" Cool  Do mesmo modo que eu leio algumas obras de ateus (como Dawkins) ou mesmo a bíblia dos céticos, porque mesmos esses possuem questões que devem ser analisadas pela Bíblia. O próprio Dawkins, que até aqui das suas obras que li, vi todas as argumentações dele impugnadas pelo Craig, é interessante de se ler. Ele tem um conhecimento absurdo e é interessante analisar o discurso dele e como outros autores - como o Craig -, os desmembram. Eu peguei um roteiro de estudos bíblicos do nobre usuário Tenente Murphy e dei uma adaptada as minhas necessidades. Ele me ajudou muito, assim como as aulas do Olavo study

O Olavão, mesmo, disse que ficou preso no universo guenoniano por um bom tempo até perceber no labirinto que estava preso.

Em relação ao escrito em negrito, eu não necessariamente compartilho desse desejo; mas apesar de saber que a coisa não funciona assim, eu gostaria de ver os países árabes (ricos) acolhendo os imigrantes dos países em guerra cívil.
sem dúvidas. como falei, a parte que eles apresentam o cristianismo (e outras religiões tirando o islã) dizem que é brilhante mesmo, uma das melhores exposições que fizeram. portanto, essa parte é totalmente aproveitável, o problema está na parte do islã, daí tem que estar vacinado, senão se cai na armadilha dos caras. enfim, são intelectuais de verdade, ou seja: tanto a parte séria da obra deles é de alta qualidade, como a sacanagem tb é de qualidade, enganando um monte de desavisados.


ps: a parte do "muçulmano bom é muçulmano morto" evidentemente é uma forçada, pra entrar no clima do fantasy mesmo. só desejo isso de fato pros muçulmanos extremistas/que apoiem a sharia (infelizmente são a maioria no islã, portanto teria muita gente que ir pra vala mesmo, mas todos terroristas em potencial, não dá pra defender gente desse tipo)


Valeu as dicas, mesmo. Você deveria participar lá no outro forum da seção assuntos polêmicos. Creio que você acrescentaria muito por lá em algumas discussões.
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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por brunolobo em Sab Abr 14, 2018 9:53 pm

@Modern Samurai escreveu:
@brunolobo escreveu:
@Modern Samurai escreveu:
@brunolobo escreveu:
@Modern Samurai escreveu:
@brunolobo escreveu:
@Modern Samurai escreveu:
@Michael Scofield escreveu:Pelo fim da intolerância religiosa contra o Islã:




Islam: uma religião da paz, do amor e da ética


Sheikh Rodrigo Rodrigues fala sobre os ensinamentos, a meditação e as práticas que compõem a segunda maior religião do mundo



"Deus é Conhecedor do mistério dos céus e da terra porque conhece bem as intimidades dos corações.” - Alcorão Sagrado (35:38)

A palavra Islam em árabe está relacionada à Salam que significa paz. Ao contrário do que se especula, a paz é a base dessa crença monoteísta que remonta à Arábia Saudita do século VII. Mais do que uma religião, trata-se de um sistema de vida completo revelado por Deus — ou Allah — ao Profeta Muhammad (cerca de 570–632 d.C.), por meio do Arcanjo Gabriel. Todas as mensagens celestiais ditadas por Deus a Muhammad compõem o Alcorão Sagrado, livro que conduz o ser humano a Deus em todos os campos da sua vida. Em cerca de suas novecentas páginas, traz temas como felicidade, a reforma entre os homens e a concórdia. Os ensinamentos islâmicos se baseiam no amor e nos pontos de encontro entre os seres humanos por serem da mesma criação.

Sheikh Rodrigo Rodrigues, natural de Porto Alegre (RS), é formado em Educação Islâmica na King Saud University, na Arábia Saudita, sendo o primeiro brasileiro a se formar numa Universidade Islâmica. Atualmente, é Imam (o pregador no culto) da comunidade islâmica de Curitiba (PR). Foi também Imam da Mesquita de Porto Alegre e até recentemente era Sheikh (ou ancião, termo usado no Islam por autoridades religiosas) da Liga da Juventude Islâmica e professor de ensino religioso na Escola Islâmica Brasileira, em São Paulo. É membro do Conselho Superior de Teólogos e Assuntos Islâmicos do Brasil e da Liga dos Sábios Muçulmanos com Sede na Turquia. Perspicaz e bem-humorado, Sheikh Rodrigo esteve em São Paulo e conversou com a Revista Bodisatva.


O Islam é um sistema completo de vida. O senhor poderia explicar o que significa?

O pensamento moderno liberal nos diz que não existe um modelo de vida a seguir — a pessoa decide o que é bom para ela, o importante é ser feliz com aquilo que tem, independente se existe ou não um outro mundo. Esse é um dos fundamentos do liberalismo.

Eu acredito que não há valor numa religião, num sistema religioso que diga para o indivíduo o que ele é ou não é. Pode ser um choque para o ocidente de que o Islam seja tomado como um sistema de vida.

No ocidente a religião não ocupa um espaço total na vida das pessoas, já no mundo dos muçulmanos, sim. Nós sabemos que somos livres para fazer o que quisermos aqui no mundo, mas estamos limitados com os atos que vão nos prejudicar hoje ou amanhã.

Cú de pombo, você já leu algum filósofo da doutrina islâmica? Recomendo você ler "A Unidade Transcendente das Religiões" de Frithjof Schuon. Se não tiver saco para ler inteiro, vá até a página 119 ("Cristianismo e Islã"), onde ele discorre sobre algumas diferenças e visões de ambas doutrinas. Eu estou engatinhando nos estudos biblicos e história das religiões e me deparei com esse autor. Ele escreve coisas muito interessantes. Dá uma lida se puder.

E você já tem um time no Fantasy? Temos que montar um time chamado TEAM GOAT GIBSON em homenagem ao MESTRÃO lol!
tu sabe que esse schuon é mal intencionado, né? a intenção maior do cara é colocar todas outras religiões de joelhos pro islã (assim como seu predecessor, o guenon, que inaugurou essa putaria de fazer filosofia religiosa ocidental pró islã).

Sim, eu li esse livro do Schuon porque li algumas citações dele em um livro de história das religiões e quando fui buscar referências sobre as obras dele para dar continuidade em outros livros mais pra frente, encontrei algumas advertências desse tipo. Acho que uma delas em algum livro/artigo do Olavo de Carvalho. Eu não me aprofundei ainda, foi mais pra ter uma visão panorâmica sobre alguns assuntos por enquanto. Como falei pro Scofield: eu estou mais focado em estudos bíblicos e história da religião. Mas sinto que estou engatinhando ainda.

Mas voltando ao assunto do Schuon, nesse capítulo que recomendei ao Scofield, ele discorre sobre a diferença do cristianismo e islã. Por exemplo, explicando as diferenças do papel do homem em ambas.

Achei que o Scofield tinha interesse sobre o assunto, mas ele está mais ligando o "foda-se" aí hahahaha

Por hora, não, mas talvez eu volte no futuro a ler as obras do Schuon e Guenon. Não tem jeito. Não dá estudar história das religiões sem passar por algumas obras deles.
sim, é o olavo que dá essa advertência (ele que conviveu pessoalmente com o schuon, aliás). o problema é que essa intenção dos caras não é declarada, justamente para ter seu efeito. portanto muita gente acaba lendo a obra dos caras e se iludindo, se tornando idiotas úteis pró islã.

falam que muita coisa dá pra aproveitar deles (basicamente: apresentam o cristianismo de maneira brilhante, mas em seguida o islã de maneira que o transcenda, aí que mora o problema), mas tem que ter essa vacina, senão se cai na conversa dos caras fácil fácil, não é à toa que os caras eram intelectuais do mais alto grau (a ponto de chegarem a ser líderes de tariqas).

enfim, nunca li nada dos caras (só sei do assunto por cima mesmo), mas basta observar as ações que eles fizeram (a disseminação das tariqas por toda europa, coisa que foi fundamental pra islamização atual do continente, já que tariqas são tipo maçonaria, organização fechada que envolve gente de elite, coincidência as políticas pró islã europeias terem surgido após isso? principe charles louvando maomé em pleno natal? toda nomenklatura da união europeia ser descaradamente pró islã? etc) pra concluir a má intenção sem possibilidade alguma de erro.

[b]ps: scofield criou o tópico em tom de ironia mesmo, já que aqui no forum todo mundo pensa que muçulmano bom é muçulmano morto (como esclareci acima, com exceção das mulheres e crianças, que são, por definição, escravos nessa religião doentia).[/b]

Entendi, mas não tem como eu estudar a história das religiões sem passar por esses autores. Creio que o mesmo acontecerá quando eu passar pelo judaísmo, hinduismo. Os estudos bíblicos são a minha "vacina" Cool  Do mesmo modo que eu leio algumas obras de ateus (como Dawkins) ou mesmo a bíblia dos céticos, porque mesmos esses possuem questões que devem ser analisadas pela Bíblia. O próprio Dawkins, que até aqui das suas obras que li, vi todas as argumentações dele impugnadas pelo Craig, é interessante de se ler. Ele tem um conhecimento absurdo e é interessante analisar o discurso dele e como outros autores - como o Craig -, os desmembram. Eu peguei um roteiro de estudos bíblicos do nobre usuário Tenente Murphy e dei uma adaptada as minhas necessidades. Ele me ajudou muito, assim como as aulas do Olavo study

O Olavão, mesmo, disse que ficou preso no universo guenoniano por um bom tempo até perceber no labirinto que estava preso.

Em relação ao escrito em negrito, eu não necessariamente compartilho desse desejo; mas apesar de saber que a coisa não funciona assim, eu gostaria de ver os países árabes (ricos) acolhendo os imigrantes dos países em guerra cívil.
sem dúvidas. como falei, a parte que eles apresentam o cristianismo (e outras religiões tirando o islã) dizem que é brilhante mesmo, uma das melhores exposições que fizeram. portanto, essa parte é totalmente aproveitável, o problema está na parte do islã, daí tem que estar vacinado, senão se cai na armadilha dos caras. enfim, são intelectuais de verdade, ou seja: tanto a parte séria da obra deles é de alta qualidade, como a sacanagem tb é de qualidade, enganando um monte de desavisados.


ps: a parte do "muçulmano bom é muçulmano morto" evidentemente é uma forçada, pra entrar no clima do fantasy mesmo. só desejo isso de fato pros muçulmanos extremistas/que apoiem a sharia (infelizmente são a maioria no islã, portanto teria muita gente que ir pra vala mesmo, mas todos terroristas em potencial, não dá pra defender gente desse tipo)

Valeu as dicas, mesmo. Você deveria participar lá no outro forum da seção assuntos polêmicos. Creio que você acrescentaria muito por lá em algumas discussões.
pois é, sempre participei de lá, mas os fatos que eu trazia sempre incomodou o pessoalzinho esquerdista/politicamente correto. daí era questão de tempo, quando alguns deles conseguiram virar monitores, foi o fim (na verdade o merdalicia sempre pegou ar comigo tb, já que era dessa turma tb, mas precisou de amparo de outros leite com pera pra justificar a sacanagem). minha punição só acaba fim do ano rsrsrs mas vamos ver se sem os nutellas moderando a coisa não melhore, dst e bisonho com certeza podem fazer um trabalho melhor (embora não terem revogado as punições dos nutellas antigos seja mau sinal).
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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por Modern Samurai em Sex Abr 20, 2018 9:50 am

Aqui é o trecho que eu havia mencionado, havia esquecido de postar, só a título de curiosidade.

Spoiler:
Capítulo VII CRISTIANISMO E ISLÃ página 119 do livro "A Unidade Transcendente das Religiões".
Vimos que entre as religiões que manifestam mais ou menos diretamente a Verdade primordial, o Cristianismo e o Islã representam a herança espiritual desta Verdade segundo pontos de vista diferentes; ora, isto levanta antes de tudo a questão de saber o que é um ponto de vista. Nada é mais simples do que compreender isso no plano mesmo da visão física, onde o ponto de vista determina precisamente uma perspectiva que sempre é perfeitamente coordenada e necessária, e onde as coisas mudam de aspecto segundo a colocação daquele que percebe, ainda que os elementos de visão permaneçam sempre os mesmos, a saber: o olho, a luz, as cores, formas, proporções e situações no espaço. É o ponto de partida da visão que pode mudar, e não a visão em si mesma; se todos admitem que seja assim no mundo físico, que não é mais que um reflexo das realidades espirituais, como se poderia negar que também nestas as mesmas relações existam, ou melhor, pré-existam? O olho então é o coração, órgão da Revelação; o sol é o Princípio Divino, dispensador de luz; a luz é o Intelecto; os objetos são as Realidades ou Essências Divinas. Mas, enquanto que, em geral, nada impede o ser vivo de mudar seu ponto de vista físico, é bem outra coisa o que ocorre com o ponto de vista espiritual, que sempre ultrapassa o indivíduo, e em relação ao qual a vontade deste último só pode permanecer determinada e passiva.
Para compreender um ponto de vista espiritual ou, o que vem a ser o mesmo, um ponto de vista religioso, não basta querer estabelecer, mesmo com a melhor das intenções, correspondências entre elementos religiosos exteriormente
120 Frithjof Schuon - A Unidade Transcendente das Religiões
comparáveis. Tal procedimento correria o risco de levar somente a uma síntese muito superficial e pouco útil, ainda que tais comparações possam também ter a sua legitimidade, mas com a condição de não tomá-las como um ponto de partida, e considerar sobretudo a constituição interna das religiões. Para apreender um ponto de vista religioso é preciso entrever a unidade pela qual todos os seus elementos constituintes estão necessariamente coordenados: esta unidade é a do próprio ponto de vista espiritual, que é a semente da Revelação. E evidente que a causa primeira da Revelação não é de modo algum assimilável a um ponto de vista, assim como a luz não depende da situação espacial do olho; mas o que constitui toda Revelação é precisamente o encontro de uma Luz única e de uma ordem limitada e contingente, a qual representa como que um plano de refração espiritual, fora do qual não poderia haver Revelação.
Antes de levar em consideração as diferentes relações entre o Cristianismo e o Islã, seria oportuno observar que o espírito ocidental, em tudo o que tem de positivo, é quase completamente de essência cristã. Está além do poder dos homens desfazerem-se, por seus próprios meios, portanto por artifícios ideológicos, de uma hereditariedade tão profunda; suas inteligências operam segundo hábitos seculares, mesmo quando inventam erros. Não se pode fazer abstração desta formação intelectual e mental, por mais enfraquecida que ela esteja; se é assim, e se algo do ponto de vista tradicional subsiste inconscientemente mesmo naqueles que se consideram livres de todo vínculo, ou naqueles que, por simples preocupação de imparcialidade, querem colocar-se fora do ponto de vista cristão, como se poderia esperar que os elementos de outra religião sejam interpretados conforme o seu verdadeiro sentido? Não é surpreendente que as opiniões correntes sobre o Islã, por exemplo, sejam mais ou menos idênticas entre a maioria dos ocidentais, quer se digam cristãos, quer se lisonjeiem de não mais o serem? Os próprios erros filosóficos não seriam concebíveis se não representassem a negação de certas verdades, e se estas negações não fossem reações diretas ou indiretas contra certas limitações formais da religião; vê-se por aí que nenhum erro,
Capítulo VII - Cristianismo e Islã 121
seja qual for a sua natureza, pode pretender ter uma perfeita independência face à concepção tradicional que ele rejeita ou desfigura.
Uma religião é um conjunto comparável a um organismo vivo, que se desenvolve segundo leis necessárias e precisas; poder-se-ia, portanto, chamá-la um organismo espiritual, ou social em seu aspecto mais exterior; mas é sempre um organismo, e não uma construção dc convenções arbitrárias; não se pode, portanto, considerar legitimamente os elementos constituintes de uma religião fora de sua unidade interna, como se se tratassem de fatos quaisquer. Este é, contudo, o erro que é cometido constantemente, mesmo por aqueles que julgam sem preconceito, mas que procuram, entretanto, estabelecer correspondências pelo exterior, sem levar em consideração que um elemento tradicional é determinado pelo gérmen e ponto de partida da religião integral, e um mesmo elemento, um personagem, ou um livro, por exemplo, pode ter uma significação mais ou menos diferente de uma religião para outra.
Ilustraremos estas observações considerando paralelamente certos elementos fundamentais das tradições cristã e muçulmana; a incompreensão habitual c recíproca dos representantes convencionais de cada uma destas duas religiões mostra-se até em detalhes quase insignificantes, como por exemplo o próprio termo “maometano” aplicado aos muçulmanos, termo que não é mais que uma transposição imprópria da palavra “cristão”; esta última denominação convém perfeitamente aos fiéis da religião que se baseia no Cristo e que O perpetua pela Eucaristia e o Corpo Místico; mas o mesmo não se dá com o Islã, que não se baseia diretamente no Profeta, mas no Corão, afirmação da Unidade Divina, e não consiste numa perpetuação de Muhammad, mas numa conformidade ritual e legislativa do homem e da sociedade à Lei coránica e, portanto, à Unidade. Por outro lado, o termo árabe mushrikún, “associadores” (de pseudo-divindades a Deus), que faz referência aos cristãos, não leva em consideração o fato de que o Cristianismo não se baseia diretamente na ideia da Unidade, e não tem necessidade de insistir
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neste ponto, pois seu fundamento é essencialmente o mistério do Cristo; não obstante, na medida em que o termo mushrikün é sagrado - em sua significação coránica -, ele é evidentemente o suporte de uma verdade que ultrapassa o fato histórico da religião cristã. Os fatos, aliás, exercem no Islã um papel muito menos importante do que no Cristianismo, cuja base religiosa é essencialmente um fato, e não uma ideia, como é o caso do Islã. Eis aí onde aparece, em suma, a divergência fundamental entre as duas formas tradicionais encaradas; para o cristão, tudo depende da Encarnação e da Redenção; o Cristo absorve tudo, mesmo a ideia do Princípio Divino, que aparece sob um aspecto trinitário, e a humanidade, que se torna seu Corpo Místico ou a Igreja militante, sofredora e triunfante. Para o muçulmano, tudo está centrado cm Allàh, o Princípio Divino encarado sob o seu aspecto dc Unidade'" e de Transcendência, e no estado de conformidade, de abandono a Ele: al-Islam. No centro da doutrin cristã está a ideia de Deus feito homem; o Filho, a segunda pessoa da Trindade, é o homem universalizado; Jesus Cristo é Deus individualizado. O Islã não dá esta preponderância ao mediador; este último não absorve tudo, é somente a concepção monoteísta da Divindade que ocupa o centro da doutrina islâmica e a domina inteiramente.
A importância concedida pelo Islã à ideia da Unidade pode aparecer, do ponto de vista cristão, como supérflua e estéril, ou como uma espécie de pleonasmo em relação à tradição judaico-cristã; esquece-se, no entanto, que a espontaneidade e a vitalidade da religião islâmica não poderiam ser fruto de um empréstimo exterior, e que a originalidade intelectual dos muçulmanos só poderia provir de uma Revelação. Se no Islã a ideia da Unidade é o suporte de toda espiritualidade e, em certa medida, de toda aplicação social, o mesmo não se dá com o Cristianismo; o ponto central deste, como dissemos há pouco, é a doutrina da Encarnação e da Redenção, concebida de um modo universal na Trindade, e não tendo outra aplicação humana a não
111 Está dito expressamente neste credo islâmico que é o Fikh al-Ákbar de Abu Hanifa que Allàh não é único no sentido do número, mas no sentido em que Ele não tem associado.
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ser os sacramentos e a participação no Corpo Místico do Cristo; o Cristianismo, tanto quanto os dados históricos conhecidos nos permitem julgar, jamais teve aplicação social no sentido lato da palavra; nunca integrou-se inteiramente na sociedade humana; impôs-se aos homens sob a forma da Igreja, sem ligá-los a ela pela atribuição de funções que lhes teriam permitido participar mais diretamente de sua vida interna; não consagrou os fatos humanos de uma maneira suficiente; não abrangeu a laicidade, reservando-lhe somente uma participação mais ou menos passiva na tradição. É assim que se apresenta a organização do mundo cristão segundo a perspectiva muçulmana; no Islã, todo homem é o seu próprio sacerdote, pelo simples fato de ser muçulmano; ele é o patricarca, imâm, ou califa de sua família, que é um reflexo da sociedade islâmica inteira. O homem é uma unidade em si mesmo; ele é a imagem do Criador, de quem é o “vigário” (khalifah) na terra; ele não poderia, portanto, ser um leigo. A família também é uma unidade; ela é uma sociedade na sociedade; ela é um bloco impenetrável(2) como o homem responsável e submisso, o muslim, e como o mundo muçulmano, que é de uma homogeneidade e de uma estabilidade quase incorruptíveis. O homem, a família e a sociedade são forjados segundo a ideia da Unidade, da qual constituem como que adaptações; são unidades como Allâh e como sua Palavra, o Corão. Os cristãos não podem reivindicar a ideia da Unidade do mesmo modo que os muçulmanos; a ideia da Redenção não está ligada necessariamente à concepção da Unidade Divina; ela poderia estar associada a uma doutrina dita “politeísta”; quanto à Unidade Divina, que o Cristianismo admite teoricamente, ela não aparece nele como um elemento “dinâmico”; a santidade cristã, a perfeita participação no corpo místico do Cristo, não procede senão indiretamente desta ideia. A doutrina cristã
(2) O símbolo supremo do Islã, a Caaba, é um bloco quadrado; ele exprime o número quatro, que é o da estabilidade. O muçulmano pode constituir a sua família com quatro esposas: elas representam a substância da família ou a própria substância social e estão cerceadas da vida pública, onde o homem por si só constitui uma unidade completa. A casa árabe é traçada conforme a mesma ideia: é quadrada, uniforme, fechada para o exterior, ornamentada no interior e aberta para o pátio.
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parte, como a doutrina islâmica, de uma ideia teísta, mas insiste expressamente no aspecto trinitario da Divindade; Deus encarnase e resgata o mundo; o Princípio descende na manifestação para restabelecer o equilibrio rompido. Na doutrina islâmica, Deus afirma-se pela Unidade, Ele não se encarna em virtude de uma distinção interna; Ele não resgata o mundo, Ele o absorve pelo Islã. Deus não descende na manifestação, projeta-se nela como o sol projeta-se por sua luz; é esta projeção que permite à humanidade participar n’Ele.
Ocorre às vezes que os muçulmanos, para os quais o Corão equivale ao que é o Cristo para os cristãos, censuram estes últimos por não possuir um livro equivalente ao Corão, isto c, um livro único, ao mesmo tempo doutrinai e legislativo, e escrito na própria língua da Revelação; eles vêem na pluralidade dos Evangelhos e dos outros textos do Novo Testamento a marca de uma divisão, agravada pelo fato de que estes textos não se conservaram na língua que Jesus falava, mas numa língua não semítica, ou ainda traduzidos desta língua para outra também estranha aos povos provenientes de Abraão e, enfim, que estes textos sejam traduzíveis para qualquer outro idioma estrangeiro; esta confusão é análoga àquela que consiste em reprovar ao Profeta ter sido um simples mortal. Com efeito, enquanto no Islã o Corão é a Palavra Divina, no Cristianismo é o Cristo vivo na Eucaristia que é o Verbo Divino, e não o Novo Testamento; este desempenha somente o papel de um suporte, do mesmo modo que o Profeta é só um suporte da mensagem divina, e não a própria mensagem. A lembrança, o exemplo e a intercessão do Profeta estão subordinados ao Livro revelado.
O Islã é um bloco espiritual, religioso e social(3); a Igreja é um centro, e não um bloco; o cristão leigo é por definição um ser periférico. O muçulmano, pelo seu caráter sacerdotal, é sempre um ser central na sua tradição, e pouco se lhe dá estar exteriormente separado da comunidade muçulmana; ele sempre permanece o seu próprio padre e uma unidade autônoma, ao
(3) Um bloco, imagem da Unidade. A Unidade é simples e por conseguinte indivisível. Segundo observação de um antigo alto funcionário inglês no Egito: “O Islã não pode ser reformado pois então não seria mais o Islã”.
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menos sob o aspecto propriamente religioso. É daí que deriva a convicção profunda do muçulmano; a fé do cristão é de outra natureza: ela “atrai” e “absorve” a alma mais do que a “engloba” e “penetra”. O cristão, quando encarado do ponto de vista muçulmano, que nos interessa agora, não está ligado à sua tradição senão pelos sacramentos; sempre está numa situação de exclusão relativa, e conserva sempre uma atitude de receptividade. No seu símbolo supremo, a cruz, os braços afastam-se indefinidamente do centro, apesar de a ele permanecerem ligados; a Caaba, por sua vez, é refletida como um todo em sua mais ínfima parte que, por sua substância e coesão interna, permanece idêntica às outras partes e à própria Caaba.
As correspondências entre os elementos tradicionais que indicamos acima não excluem outras correspondências, encaradas de um ponto de vista diferente; assim, a analogia entre o Novo Testamento e o Corão é real, dentro de seu quadro, do mesmo modo que, de certo ponto de vista, o Cristo e o Profeta correspondem-se necessariamente; negar este gênero de correspondência eqüivaleria a pretender que existem semelhanças sem razão suficiente, portanto desprovidas de sentido. Mas a maneira totalmente exterior ou mesmo sincretista pela qual estas correspondências são encaradas frequentemente, e quase sempre em prejuízo de um dos dois elementos em questão, tira qualquer valor real aos resultados de tais comparações. Há, na realidade, duas espécies de correspondências tradicionais: de um lado, as correspondências fundadas sobre a natureza fenomenal, se assim podemos dizer, dos elementos tradicionais e, de outro, as que derivam da estrutura interna de cada religião; no primeiro caso, considerar-se-á um elemento na medida em que ele seja um personagem, um livro, um rito, uma instituição etc e, no segundo caso, na medida em que ele tenha esta ou aquela significação orgânica para a tradição. Aqui reencontramos a analogia que existe entre o ponto de vista espiritual e o ponto de vista físico: para este último, um dado objeto permanece sempre o mesmo objeto, mas ele pode mudar de aspecto e de importância conforme as diferentes perspectivas, e esta lei é facilmente transposta para a ordem espiritual.
I rilhjorSchuon - A Unidade Transcendente das Religiões
É importante deixar claro que todas estas considerações dizem respeito exclusivamente às religiões enquanto tais, isto é, enquanto organismos, e não às suas possibilidades puramente espirituais, que são idênticas em princípio. É evidente que deste ponto de vista não há nenhuma questão de preferência que possa intervir; se o Islã, como organismo tradicional, é mais homogêneo e mais intimamente coerente do que a forma cristã, este caráter ainda é bastante contingente. Por outro lado, o caráter solar do Cristo não poderia conferir ao Cristianismo uma superioridade sobre o Islã; explicaremos as razões disso mais adiante e limitar-nos- emos aqui a lembrar que cada forma religiosa é necessariamente superior, sob determinado aspecto e quanto à sua manifestação
- não quanto à sua essência e suas possibilidades espirituais — às outras formas da mesma ordem. Aqueles que quiserem basear- se, para julgar a forma islâmica, em comparações superficiais e forçosamente arbitrárias com a forma cristã, diremos que o Islã, dado que ele corresponde a uma possibilidade de perspectiva espiritual, é tudo quanto deve ser para manifestar essa possibilidade; assim como o Profeta, longe de ser um imitador imperfeito do Cristo, foi tudo quanto devia ser para realizar a possibilidade espiritual representada pelo Islã. Se o Profeta não é o Cristo, se ele inclusive aparece sob um aspecto particularmente mais humano, é porque a razão de ser do Islamismo não está na ideia crística ou “avatárica”, mas em uma ideia que devia mesmo excluir esta; a ideia realizada pelo Islamismo e pelo Profeta é a da Unidade Divina, cujo aspecto de absoluta transcendência implica - para o mundo criado ou manifestado
- um aspecto correlativo de imperfeição. Foi isso que permitiu aos muçulmanos empregar desde o início meios humanos como a guerra para constituir o seu mundo tradicional, enquanto no Cristianismo foi preciso um intervalo de alguns séculos desde os tempos apostólicos para que se pudesse empregar o mesmo meio, aliás indispensável para a propagação de uma religião. Quanto às guerras desencadeadas pelos próprios Companheiros do Profeta, elas representam provações visando o que se poderia chamar a elaboração - ou a cristalização - dos aspectos formais
Capítulo VII - Cristianismo e Islã 127
de um mundo novo; aqui o ódio não entra em jogo, e os santos homens que combateram deste modo, longe de lutar contra indivíduos por interesses humanos, o fizeram no sentido dos ensinamentos do Bhagavad-Gitâ; Krishna ordena Arjuna a combater, não pelo ódio nem para vencer, mas para cumprir o seu destino como instrumento do Plano Divino, e sem apego aos frutos das obras. Esta luta de “pontos de vista” quando da constituição de um mundo tradicional reflete do mesmo modo a “disputa” entre possibilidades de manifestação quando da “saída do caos” que ocorre na origem do mundo cósmico, disputa que, é claro, é de ordem puramente principiai. Estava na natureza do Islã ou de sua missão colocar-se, desde as origens, em um terreno político quanto à sua afirmação exterior, o que teria sido não somente contrário à natureza ou à missão do Cristianismo primitivo, mas mesmo totalmente irrealizável num ambiente tão sólido e estável como o do Império Romano; mas, desde que o Cristianismo tomou-se religião de Estado, não só pôde como ainda teve de colocar-se no terreno político, exatamente como o Islã. As vicissitudes exteriores experimentadas pelo Islã após a morte do Profeta não são, com certeza, imputáveis a uma insuficiência espiritual, elas são simplesmente máculas inerentes ao terreno político enquanto tal. O fato de que o Islã tenha sido instituído exteriormente por meios humanos tem seu fundamento único na Vontade Divina que, precisamente, exclui toda interferência esotérica na estrutura terrena da nova forma tradicional. Por outro lado, quanto à diferença que há entre o Cristo e o Profeta, acrescentaremos que os grandes espirituais, sejam quais forem os seus respectivos graus, manifestam quer uma sublimação, quer uma norma; o primeiro caso é o do Buda e do Cristo, assim como o de todos os santos monges ou eremitas; e o segundo, o de Abraão, de Moisés e de Muhammad, assim como o de todos os santos que viveram no mundo, como os santos monarcas e guerreiros; a atitude de uns corresponde à sentença do Cristo: “Meu Reino não é deste mundo”, e a atitude dos outros à sentença: “Venha a nós o Vosso reino”.
Aqueles que, invocando argumentos morais, acreditam ter o dever de negar ao Profeta do Islã toda
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legitimidade esquecem que a única questão que se deve colocar é a de saber se Muhammad era ou não inspirado por Deus, e não se ele era ou não comparável a Jesus, ou se estava de acordo com esta ou aquela moral estabelecida; quando se sabe que foi Deus quem permitiu aos hebreus a poligamia e ordenou a Moisés passar a fío de espada a população cananeia, a questão da moralidade desses procedimentos não se coloca de modo algum; o que conta é sempre e exclusivamente a realidade da Vontade Divina, cujo objetivo é invariável, mas cujos meios ou modos variam em razão da Infinidade de Sua Possibilidade, e secundariamente, em razão da diversidade indefinida das contingências. Do lado cristão, rcprova-sc facilmente o Profeta por fatos como a destruição da tribo dos coraichitas; mas esquece-se que qualquer Profeta de Israel teria agido com mais rigor do que ele, e também a maneira pela qual Samuel, por ordem de Deus, agiu com os amalecitas e com o seu rei. O caso dos coraichitas, como o dos fariseus, oferece, além disso, um exemplo do “discernimento dos espíritos” que se produz de certo modo automaticamente ao contato com uma manifestação de Luz; por mais neutro que possa parecer um indivíduo durante o tempo em que se ache colocado num meio “caótico” ou indiferenciado, meio do qual o mundo do Oriente Médio ao tempo de Muhammad oferece uma imagem bem característica - e esta imagem corresponde aliás àquela de todos os meios onde está para acontecer uma readaptação religiosa -, por mais diminuída ou reduzida, dizíamos, a um estado latente que possa parecer a tendência fundamenta] de um indivíduo num meio de indiferença espiritual, esta tendência se atualizará espontaneamente diante da alternativa que se coloca quando do contato da Luz; e é isso que explica porque, quando as portas dos Céus se abrem graças ao raio de luz da Revelação, também se abrem as portas dos infernos, do mesmo modo que, na ordem sensível, uma luz projeta uma sombra.
Se Muhammad tivesse sido um falso profeta, não se vê porque o Cristo não teria falado dele como falou do Anticristo; mas, se Muhammad é um verdadeiro Profeta, as passagens sobre o Paracleto devem sem dúvida referir-se a ele
- não exclusivamente, mas eminentemente -, pois é impossível
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que o Cristo, ao falar do futuro, tivesse passado em silêncio uma aparição de tal dimensão; é ainda esta dimensão que exclui a priori que o Cristo, nas suas predições, tivesse podido englobar Muhammad na designação geral dos “falsos profetas”, pois Muhammad não é de modo algum, na história de nossa era, um exemplo entre outros de um mesmo gênero, mas é, ao contrário, uma aparição única e incomparável(4); se tivesse sido um dos falsos profetas anunciados, teria sido seguido por outros, e haveria
(4) “Se a grandeza do desígnio, a escassez dos meios e a imensidão do resultado são as três medidas do gênio do homem, quem ousaria comparar humanamente um grande homem da história moderna com Muhammad? Os mais famosos dentre eles só movimentaram armas, leis, impérios; só fundaram, quando fundaram alguma coisa, potências materiais, frequentemente destruídas diante de seus olhos. Muhammad movimentou exércitos, legislações, impérios, povos, dinastias, milhões de homens sobre um terço do globo habitado; mas, além disso, ele movimentou ideias, crenças, almas. Fundou sobre um livro, do qual cada letra tomou-se lei, uma nacionalidade espiritual que engloba povos de todas as línguas e de todas as raças, e imprimiu com caráter indelével desta nacionalidade muçulmana, o ódio aos falsos deuses e a paixão do Deus uno e ¡material”. (Lamartine, Historie de La Turquie).
“A conquista árabe que se alastrou ao mesmo tempo sobre a Europa c a Ásia não tem precedentes; a rapidez de seus sucessos só pode ser comparada à rapidez com que se constituíram os impérios mongois de um Atila ou, mais tarde, de um Gengis Khan ou de um Tamcrlào. Mas estes foram tão efêmeros quanto foi duradoura a conquista islâmica. Hoje em dia, esta religião ainda tem os seus fieis em quase todos os países onde foi imposta pelos primeiros califas. É um verdadeiro milagre a sua difusão fulminante se comparada à lenta progressão do Cristianismo” (H. Pirenne, Mahomet e Charlemagnè).
“A força não teve nenhum papel na propagação do Corão, pois os árabes sempre permitiram aos vencidos conservar a sua religião. Se os povos cristãos se converteram à religião de seus vencedores, foi porque os novos conquistadores mostraram-se mais justos com eles do que jamais o tinham sido seus antigos patrões, e porque essa religião era de uma simplicidade maior do que aquela que lhes tinham ensinado até então... Longe de ter sido imposto pela força, o Corão espalhou-se pela persuasão... Somente a persuasão podia levar os povos que venceram mais tarde os árabes, como os turcos e os mongois, a adotá-lo. Na índia, pela qual os árabes na realidade apenas passaram, o Corão se difundiu de tal modo que conta hoje (1884) com mais de cinqüenta milhões de adeptos. Seu número cresce dia a dia... Apesar de os árabes não terem conquistado a menor parcela do Celeste Império (a China), os muçulmanos aí formam hoje uma população de mais de vinte milhões.” (G. Le Bon, La Civilisation des Árabes)
cm nossos dias nina multidão de falsas religiões posteriores ao C Visto e comparáveis pela sua importância e pela sua extensão no Islamismo. A espiritualidade no seio do Islamismo, desde as origens alé nossos dias, é um fato inegável, e “é pelos seus Irutos que os reconhecereis”; por outro lado, lembrar-se-á que o Profeta prestou testemunho, em sua própria doutrina, da Segunda Vinda do Cristo, sem atribuir-se nenhuma glória, senão a de ser o último Profeta do ciclo; e a história está aí para provar que ele disse a verdade, pois não houve mais nenhuma aparição comparável à sua.
Enfim, é indispensável dizer algumas palavras sobre o modo pelo qual o Islã encara a sexualidade; se a moral muçulmana difere da cristã - o que não é absolutamente o caso no que diz respeito à guerra santa ou à escravidão, mas unicamente no que diz respeito à poligamia e ao divórcio15* - é porque ela deriva de outro aspecto da Verdade total: o Cristianismo, como também o Budismo, só encara na sexualidade o lado carnal, portanto substancial ou quantitativo; o Islã, pelo contrário, como o Judaísmo e as tradições hindu e chinesa - não falamos de certas vias espirituais que rejeitam o amor sexual por questões de método - vêem na sexualidade o seu lado essencial ou qualitativo, ou o que poderíamos chamar de seu aspecto cósmico; e, com efeito, a santificação da sexualidade lhe confere
1.10 I i illijoI Scluion A Unidade Transcendente das Religiões
<5' A poligamia era necessária entre os povos do Oriente Médio - que são povos guerreiros - para assegurar que todas as mulheres pudessem encontrar a sua subsistência, já que os homens eram dizimados pelas guerras; a isso se acrescentava ainda a grande mortalidade infantil, de modo que a poligamia impunha-se para a conservação da raça. Quanto ao divórcio, ele era, e ainda é, necessário devido à inevitável separação dos sexos, que faz com que os cônjuges não se conheçam, ou se conheçam pouco, antes do casamento, e esta separação era por sua vez condicionada pelo temperamento sensual dos árabes, e dos povos meridionais em geral. O que acabamos de dizer explica o uso do véu pelas muçulmanas, assim como o purdah das hindus de alta casta; o fato de que o véu só seja usado na forma tradicional mais tardia, o Islã e, por outro lado, que o purdah só tenha sido instituído tardiamente no Hinduísmo, mostra bem, aliás, que estas medidas só se explicam pelas condições particulares do fim da “Idade de Ferro”; é por causa dessas mesmas condições que as mulheres foram excluídas de certos ritos bramânicos, aos quais tinham acesso primitivamente.
Capítulo VII - Cristianismo e Islã 131
uma qualidade que ultrapassa seu caráter carnal e o neutraliza, ou mesmo o abole em certos casos, como o das Cassandras e Sibilas da antiguidade, ou o do Shri Chakra tântrico e, enfim, o dos grandes espirituais, entre os quais convém citar Salomão e Muhammad. Em outros termos, a sexualidade pode ter um aspecto de nobreza assim como pode ter o de impureza; há aí um sentido vertical bem como um horizontal, para falar em termos de simbolismo geométrico; a carne é impura em si mesma, com ou sem sexualidade, e esta é nobre em si mesma, na carne ou fora dela; esta nobreza da sexualidade deriva de seu Protótipo Divino, pois “Deus é Amor”; em termos islâmicos dir-se-á que “Deus é Unidade”, e que o amor, sendo um modo de união (tawhid), é por isso uma conformidade à Natureza Divina. O amor pode santificar a carne, assim como a carne pode aviltar o amor; o Islã insiste na primeira dessas verdades, enquanto o Cristianismo insistirá de preferência na segunda, exceto, é claro, no sacramento do matrimônio, onde reencontra forçosamente, por assim dizer fortuitamente, a perspectiva judeo-islâmica.
Nossa próxima tarefa é mostrar em que consiste realmente a diferença entre as manifestações crística e maometana; deve-se, contudo, sublinhar que tais diferenças só dizem respeito à manifestação dos “Homens-Deus”, e não à sua realidade interior e divina, que é idêntica. Mestre Eckhart enuncia esta identidade nos seguintes termos: “Tudo quanto a Sagrada Escritura diz do Cristo é igualmente verdadeiro para todo homem bom e divino”, isto é, para todo homem que possui a plenitude da realização espiritual, tanto no sentido da “amplidão” como da “exaltação”. Do mesmo modo, Shri Ramakrishna afirma: “no Absoluto eu não estou, e tu não estás, e Deus não está, pois Ele (o Absoluto) está além da palavra e do pensamento. Mas enquanto existe algo fora de mim, devo adorar Brahma, dentro dos limites do mental, como algo que se acha fora de mim”; este ensinamento explica, por um lado, como o Cristo pôde orar apesar de ser ele mesmo divino e, por outro lado, como foi possível ao Profeta - apesar de aparecer expressamente como homem em razão do modo particular de sua manifestação - ser ao mesmo tempo divino em sua realidade
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interior. Nesta mesma ordem de ideias, devemos ainda precisar o seguinte: a perspectiva exotérica baseia-se essencialmente em um “fato”, ao qual atribui um caráter absoluto; por exemplo, a perspectiva crista baseia-se no estado espiritual supremo, realizado pelo Cristo e inacessível ao individualismo místico, mas ela atribui este estado unicamente ao Cristo, decorrendo daí a negação, na teologia comum pelo menos, da União metafísica, ou da Visão beatífica ainda nesta vida; acrescentaremos que o esoterismo, pela voz de um Mestre Eckhart, recoloca o mistério da Encarnação na ordem das leis espirituais, atribuindo ao homem que atingiu a santidade suprema as características do Cristo, salvo a missão profética, ou melhor, redentora. Um exemplo análogo é o de certos sufis que reivindicam para alguns de seus escritos uma inspiração igual à do Corão; ora, no Islã exotérico este grau de inspiração é atribuído unicamente ao Profeta, conforme a perspectiva teológica, que se funda sempre sobre um “fato transcendente” que ela reivindica exclusivamente para esta ou aquela manifestação do Verbo.
Fizemos alusão acima ao fato de que é o Corão que corresponde rigorosamente ao Cristo-Eucaristia, e é ele que constitui a grande manifestação paraclética, “descenso” (Tanzil) efetuado pelo Espírito-Santo (Ar-Ruh, designado pelo nome de Jibra ’il - Gabriel - em sua função reveladora); o papel do Profeta será por conseguinte análogo e mesmo simbolicamente idêntico, sob a relação considerada, ao da Santa Virgem, que também foi a base de recepção do Verbo; e, assim como a Santa Virgem, fecundada pelo Espírito Santo, é “Co-Redentora” e “Rainha do Céu”, criada antes do resto da Criação, do mesmo modo o Profeta, inspirado pelo mesmo Espírito paraclético, é “Enviado da Misericórdia” {Rassül Ar-Rahmah) e “Senhor das Duas Existências” (“este mundo” e “o próximo”) (Sayid-al-kawnayn), e é igualmente criado antes de todos os outros seres. Esta “criação anterior” significa que a Virgem e o Profeta encarnam uma Realidade principiai ou metacósmica<6>; eles identificam-
m A opinião segundo o qual o Cristo teria sido o Mleccha-Avatâra, o “Descenso Divino dos bárbaros” (ou “para os bárbaros”), isto é, a nona encarnação de Vishm, deve ser refutada tanto por uma razão de fato tradicional corno por
Capítulo VII - Cristianismo e Islã
se - em seu papel receptivo, não em seu Conhecimento Divino nem, no que se refere a Muhammad, em sua função profética ao aspecto passivo da Existência universal (Prakriíi, em árabe Al-Lawh al-mahfuzh, “a Tábua Preservada”), e é por isso que a Virgem é “imaculada” e, do ponto de vista simplesmente físico, “virgem”, enquanto o Profeta é “iletrado”, como eram aliás também os Apóstolos - isto é, puro da mácula de um saber humano, ou de um saber adquirido humanamente; esta pureza é a primeira condição para a recepção do Dom paraclético, assim como, na ordem espiritual, a castidade, a pobreza, a humildade e outras formas da simplicidade ou unidade são indispensáveis para a recepção da Luz Divina. A fim de precisar a relação de analogia entre a Virgem e o Profeta, acrescentaremos que o estado particular em que este último se encontrava imerso por ocasião das Revelações é diretamente comparável ao da Virgem trazendo em si o Menino Jesus ou lhe dando à luz; contudo, em razão de sua função profética, Muhammad realiza uma dimensão nova e ativa, através da qual ele se identifica — seja quando profere as suras coránicas, seja em geral quando o “Eu Divino” fala por sua boca —, diretamente com o Cristo, que é Ele Mesmo o que é a Revelação para o Profeta, e em quem, por conseguinte, cada palavra é Palavra-Divina. No Profeta, somente as “palavras do Santíssimo” (ahadith quddusiyah) apresentam, além do Corão, este caráter divino; suas outras sentenças procedem de um grau secundário de inspiração (nafath Ar-Ruh, a Smriti hindu), grau que é também o de certas partes do Novo Testamento, especialmente as Epístolas. Mas, voltemos à “pureza” do Profeta: nele se encontra o equivalente exato da “Imaculada Conceição”; segundo a narrativa tradicional, dois anjos abriram o peito da criança Muhammad e lavaram-lhe, com neve, o “pecado original”, que apareceu sob a forma de uma
uma razão de principio: em primeiro lugar, o Buda sempre foi considerado pelos hindus como um Avatâra, mas como 0 Hinduísmo devia forçosamente excluir o Budismo, explicava-se a aparente heresia búdica pela necessidade de abolir os sacrifícios sangrentos e, também, pela necessidade de induzir os homens corrompidos ao erro, a fim de precipitar a marcha fatal da Kali-Yuga; em segundo lugar, diremos que é impossível que um ser que encontra seu lugar “orgânico” no sistema hindu pertença a um mundo outro que o da índia e, sobretudo, a um mundo tão afastado como o mundo judaico.
Irilhjof Scluion - A Unidade Transcendente das Religiões
mancha prcta sobre o coração. Muhammad, como Maria, ou como a “natureza humana” de Jesus, não é, portanto, um homem comum, e é por isso que se diz que “Muhammad é simplesmente um homem, não como os homens (comuns) são, mas como uma jóia entre as pedras (comuns)” (Muhammedun basharun la kal- hasharí bal hua kal-yaquti bayn al-hajar)\ o que nos recorda a fórmula da Ave María: “Bendita és tu entre as mulheres”, que indica que a Virgem, em si mesma e independentemente da recepção do Espirito Santo, é uma “jóia” em relação às outras criaturas, portanto uma espécie de “norma sublime”.
De certo ponto de vista, a Virgem e o Profeta “encarnam” o aspecto - ou o “polo” - passivo ou “feminino” da Existência universal (Prakriíi); por este fato mesmo, eles “encarnam”, a fortiori, o aspecto benéfico e misericordioso de Prakriti(7), o que explica sua função essencial de “intercessão” e justifica nomes como: “Mãe de Misericórdia” (Mater Misericordiae) ou “Nossa Senhora do Perpétuo Socorro” {Nostra Domina a perpetuo succursu) ou, no que diz respeito ao Profeta, “Chave da Misericórdia de Deus” (Miftah Rahmat Allâh), “Misericordioso” (Rahim), “Aquele que cura” (Shaji), “Aquele que tira os pesares” (Kâshif al-kurab), “Aquele que apaga os pecados” (‘Afuww) ou “A mais bela Criação de Deus” (Ajmalu khalq Allâh). Mas, qual a relação entre esta misericórdia, este perdão ou esta caridade e a Existência universal? A isso responderemos: já que a Existência é indiferenciada, virgem ou pura em relação a suas produções, ela pode reabsorver em sua indiferenciação as qualidades diferenciadas das coisas; em outros termos, os desequilíbrios da manifestação sempre podem ser integrados no equilíbrio principiai; ora, todo mal provém de uma qualidade cósmica (guna), portanto de uma ruptura de equilíbrio, e, como a Existência contém em si mesma todas as qualidades em equilíbrio indiferenciado, ela pode dissolver em sua infinidade todas as vicissitudes do mundo. A Existência é realmente “Virgem” e “Mãe”, no sentido de que, por um lado,
(7) A Kwan-Yin do Budismo extremo-oriental, derivada do Bodhisattva Avalekiteshvara, o “Senhor do olhar misericordioso”.
Capítulo VII - Cristianismo e Islã 135
ela não é determinada por nada, afora Deus, e, por outro lado, ela gera o Universo manifestado: Maria é “Virgem-Mãe” em razão do mistério da Encarnação; quanto a Muhammad, ele é “virgem” ou “iletrado”, como dissemos, na medida em que recebe a Inspiração somente de Deus e nada recebe dos homens, e “Mãe” em razão de seu poder de intercessão junto a Deus; as personificações, humanas ou angélicas, da Prakriti Divina comportam essencialmente os aspectos de pureza e de amor. O aspecto de Graça ou de Misericórdia da Divindade “virginal” e “maternal” explica, de resto, porque esta manifesta-se prontamente de um modo sensível e sob a forma de uma aparição humana, portanto acessível aos homens: as aparições da Virgem são conhecidas de todos no Ocidente e, quanto às do Profeta, elas não são infrequentes entre os espirituais muçulmanos; existem mesmo métodos para obter esta graça que equivale, em suma, a uma concretização da Visão Beatífica'8*.
O Profeta, apesar de não ocupar no Islã o lugar que o Cristo ocupa no Cristianismo, não deixa de ter, necessariamente aliás, uma posição central na perspectiva islâmica; resta-nos esclarecer em virtude de que verdade isto pode e deve ser assim e, por outro lado, como o Islã integra em sua perspectiva o Cristo, reconhecendo-lhe, ao mesmo tempo, de certo modo através de seu nascimento virginal, o seu caráter solar. O Verbo, segundo esta perspectiva, não se manifesta em nenhum homem em particular enquanto tal, mas na função profética — no sentido mais elevado do termo - e, acima de tudo, nos Livros revelados; ora, uma vez que a função profética de Muhammad é real, e o Corão é uma Revelação verdadeira, os muçulmanos, que só admitem estes dois critérios, não vêem nenhuma razão de preferir Jesus a Muhammad; ao contrário, devem dar a este último a precedência, e pela simples razão de que, sendo ele o último representante da função profética, recapitula e sintetiza
(8> Lembremos a este respeito as aparições da Shakti no Hinduísmo - no caso de Shri Ramakrishna e Shri Sâradâ Devi, por exemplo - ou ainda a de Kwan- Yin ou Kwannon nas tradições do Extremo Oriente, por exemplo, no caso de Shonin Shinran, grande santo budista do Japão; sabe-se por outro lado que, no Judaísmo, a Shekinah aparece sob a forma de uma mulher bela e benéfica.
136 Frithjof Schuon - A Unidade Transcendente das Religiões
todos os modos desta e fecha o ciclo da manifestação do Verbo, decorrendo daí o nome “Selo dos Profetas” (Khatâm al-anbiyâ); é esta situação única que confere a Muhammad a posição central que lhe reconhece o Islamismo, e que permite chamar o Verbo mesmo “Luz Maometana” (Nür mohammedi).
O fato de que a perspectiva islámica só encare a Revelação enquanto tal e não os seus modos possíveis, explica porque esta perspectiva não atribui aos milagres do Cristo a importância que lhes atribui o Cristianismo: com efeito, todos os “Enviados”, Muhammad inclusive, fizeram milagres (um’jizât)(9)m, a diferença, sob este aspecto, entre o Cristo e os outros “Enviados”, consiste em que somente no Cristo o milagre tem uma importância central e é operado por Deus “no” suporte humano, c não somente “mediante” este suporte. Este papel do milagre no Cristo e no Cristianismo explica-se pelo caráter particular que é a razão de ser desta forma de Revelação, e que explicaremos no capítulo seguinte; quanto ao ponto de vista islâmico, não são os milagres que importam tanto, mas o caráter divino da missão do Enviado, seja qual for o grau de importância que o milagre tenha nesta missão. Poder-se-ia dizer que a particularidade do Cristianismo consiste em basear-se em primeiro lugar em um milagre, que se perpetua na Eucaristia, enquanto o Islã se funda antes de tudo em uma Ideia, sustentada por meios humanos, mas com a ajuda divina, e perpetuada na Revelação coránica, da qual a oração ritual é de certo modo a atualização sempre renovada.
191A maioria dos orientalistas, se não todos, deduzem falsamente de diversos trechos coránicos que o Profeta não teria feito nenhum milagre, o que é contestado antecipadamente não só pelos comentadores tradicionais do Corão, mas também pela Suna, que constitui o pilar da ortodoxia islâmica.
Quanto ao caráter “avatárico” do Profeta, fazendo-se abstração dos critérios infalíveis de uma ordem mais profunda, ele é confirmado por sinais que, segundo a Suna, precederam e acompanharam seu nascimento, e que são análogos àqueles que as respectivas tradições relatam a respeito do Cristo ou do Buda.
Capítulo VII - Cristianismo e Islã 137
Já mencionamos que em sua realidade interior Muhammad identifica-se ao Verbo, como o Cristo, e como ademais, fora da perspectiva especificamente dogmatista, todo ser que alcançou a plenitude da realização metafísica(10); eis porque estes ahâdith: “Quem me viu, viu a Deus (sob o Seu aspecto de Verdade absoluta)” {Man ra ’ani ra ’al-Haqq) e “Ele (Muhammad) era Profeta (Verbo) quando Adão ainda estava entre a água e o barro” {Fakâna nabiyen wa-Adamu baynal-mâ ’i wat-tin), sentenças que podem ser comparadas a estas do Cristo: “Eu e o Pai Somos Um” e “Na verdade, antes que Abraão fosse, Eu sou”.
(l0) Esta realização metafísica, que integra o homem em seu Protótipo Divino, de maneira que se pode dizer do ser que possui este estado supremo que “ele não é criado” (As-Sufí lam yukhlaq), é quase impossível de ser alcançada em nosso período cíclico; se apesar disso a mencionamos, é unicamente por causa da verdade doutrinai, pois, sem a ideia do “Homem-Deus”, o esoterismo seria privado de um aspecto de sua própria essência.
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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

Mensagem por Horus em Ter Jun 05, 2018 1:26 am

@Modern Samurai escreveu:

Entendi, mas não tem como eu estudar a história das religiões sem passar por esses autores. Creio que o mesmo acontecerá quando eu passar pelo judaísmo, hinduismo. Os estudos bíblicos são a minha "vacina" Cool  Do mesmo modo que eu leio algumas obras de ateus (como Dawkins) ou mesmo a bíblia dos céticos, porque mesmos esses possuem questões que devem ser analisadas pela Bíblia. O próprio Dawkins, que até aqui das suas obras que li, vi todas as argumentações dele impugnadas pelo Craig, é interessante de se ler. Ele tem um conhecimento absurdo e é interessante analisar o discurso dele e como outros autores - como o Craig -, os desmembram. Eu peguei um roteiro de estudos bíblicos do nobre usuário Tenente Murphy e dei uma adaptada as minhas necessidades. Ele me ajudou muito, assim como as aulas do Olavo study

O Olavão, mesmo, disse que ficou preso no universo guenoniano por um bom tempo até perceber no labirinto que estava preso.

Em relação ao escrito em negrito, eu não necessariamente compartilho desse desejo; mas apesar de saber que a coisa não funciona assim, eu gostaria de ver os países árabes (ricos) acolhendo os imigrantes dos países em guerra cívil.

Estou em caminho parecido: "estudar" Teologia como "remédio".

Vou procurar sobre esses autores que citou.

Como sou místico, na verdade não vou nunca entender o esoterismo. Enfim.

Vou ler sobre esoterismo.

Se quiser recomendação para ler sobre misticismo cristão, manda MP.

Pois comprei obras do misticismo cristão que não há em português e quero traduzí-las; olha que teve até falta de combustível para o livro não chegar. Laughing Para o mundo mesmo que eu quero descer; só pode ser o Apocalipse se eu conseguir traduzir aquelas obras que - guardadas as devidas proporções - parecem ter sido escritas por mim mesmo em outra vida. Sleep ( as obras são 10 vezes mais bem escritas que qualquer texto que tenho condições de fazer no momento).
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Re: Islam: uma religião da paz, do amor e da ética

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